quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O "cabaré Brasil"

Por Arimatéia Azevedo

Quem leu ou ouviu o senador Romero Jucá dizer, mandando recado para os ministros do STF: “Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba”, fica logo se perguntando, ‘que cabaré é este de que ele fala?’ O senador ameaçou fazer uma ‘suruba’ ou acabar com ela caso algum ministro do Supremo se meta a besta em tirar o foro privilegiado de personagens do Executivo e Legislativo, sob pena de fazer movimento para que o surubal, ou melhor, o foro, caia, em todas as esferas, principalmente no Judiciário. O advogado Miguel Dias escreveu um belo texto para o Portal AZ: "Romero Jucá se superou! Insurgindo-se contra uma proposta em debate no Supremo Tribunal Federal que restringe o foro privilegiado de parlamentares. “Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada. Uma regra para todo mundo”. Vejam a que ponto nós chegamos! Um senador da República insinuando que entre Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público existe uma grande promiscuidade, suruba, um bacanal, uma orgia de crimes para a corrupção e para surrupiar na Administração Pública brasileira. Mas, a suruba denunciada por Jucá não é de hoje. A ex-ministra do STJ e, hoje, aposentada e renomada jurista Eliana Calmon, afirmou em 2011, quando Corregedora Nacional de Justiça, que bandidos de toga estão infiltrados no Judiciário. ‘Eu sei que é uma minoria. A grande maioria da magistratura brasileira é de juiz correto’ – disse na época. Seis anos depois, agora em 2017, Eliana Calmon volta à carga em uma entrevista ao Jornal El País e afirma que é preciso apurar a responsabilidade do Judiciário no caso da Lava Jato. ‘O que eu questiono é que em todas estas décadas em que a empreiteira (Odebrecht) atuou como organização criminosa nenhum juiz ou desembargador parece ter visto nada. E até agora nenhum delator mencionou magistrados’”.fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana