terça-feira, 7 de março de 2017

Quem prende o promotor?

Por Arimatéia Azevedo

O vídeo mostrando o promotor de Justiça João Mendes Benigno Filho num suposto conluio com o prefeito de Piripiri, Luis Menezes, em cuja comarca, atuou como promotor eleitoral na eleição passada, deveria ser a gota d’água para fazer as autoridades competentes, notadamente do MP tomarem enérgicas posições contra esse suposto agente da lei. Ali ele é flagrado discutindo estratégias de defesa de um sujeito processado na justiça eleitoral. Portanto, é crítica a posição do promotor que, por sua extensa folha corrida, volta à cena do crime. Desta vez capturado em uma gravação de conversa orientando como o prefeito deve proceder para evitar ter o seu mandato cassado por conduta vedada e abuso do poder econômico. A conduta de Benigno é perniciosa e ostensiva, e se torna gravosa porque o promotor público, antes de ser defensor da sociedade, é o fiscal da lei, primordial para a independência e seriedade do Ministério Público. A sua desculpa (bem como a do prefeito, de que conversavam sobre futebol,) é chula. A gravação é clara. A raposa muda de pelo, mas não muda o costume. Benigno já esteve envolvido no rumoroso caso do crime organizado, nos anos 90, quando chamava o então poderoso e temido Correia Lima de chefe. Como promotor de Justiça, portanto, estava subordinado ao sanguinário chefe de um bando criminoso que matava, assaltava, assustava o Piauí. Era notória a sua conduta de cumplicidade quando atuou no julgamento do soldado Moreira, assassino confesso do delegado Arias Filho, que investigava Correia Lima. A acusação por Benigno sustentada foi tão pífia que o matador saiu inocentado por 7 x 0. Pasmem, o promotor alegou legítima defesa do matador, quando a vítima foi alvejada com tiro pelas costas. 
Ambos foram comemorar à base de churrasco e muita pinga, na chácara do chefe dos dois. No assassinato do engenheiro Castelinho, da Telepisa, ele foi o primeiro a chegar ao local, e o que fez? Ligou para Domingão, o então gerente do grupo de Correia Lima. Pesam contra ele – tanto que passou anos afastados pelo STJ por corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, retardamento de decisões judiciais - inúmeras denúncias por desvio de função. Mas o que lhe acontece? Promoção, como a de coordenador das promotorias do Júri e designação para atuar na justiça eleitoral. Quando questionado porque não se pronunciou no caso dos matadores de Thalyson Matheus em Teresina no dia 10 de maio 2015 e por isso eles foram colocados em liberdade, Benigno deu o dedo para os jornalistas. Por tudo o que se pode ver, diante de tantos descaminhos o promotor, neste caso, é o maior perigo para a sociedade porque, quando, na posição de agente da lei, e descamba para o lado do bandido, se torna tão perigoso quanto o sujeito que ele tem a obrigação de denunciar.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana