domingo, 16 de abril de 2017

A bênção para a propina veio de Temer, diz delator

Jornal GGN - Rogério Santos de Araújo, que respondia pelo lobby da Odebrecht na Petrobras, disse, em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República), em 2010, que Temer “assentiu” e deu a “bênção” aos termos do acordo com executivos da empreiteira com Eduardo Cunha, então deputado federal e do lobbista do PMDB João Augusto Henriques. O acerto em questão, de 2010, dava conta de US$ 40 milhões em propinas a integrantes do PMDB. Márcio Farias, ex-presidente da Odebrecht Engenharia, também mencionou a mesma reunião. Araújo afirma que, como a propina era substanciosa, a Odebrecht foi em busca da concordância de outros caciques do PMDB, com mais poder que Cunha.
Arguido sobre sinalização positiva de líderes do PMDB para dar prosseguimento à confirmação de propinas no valor de 5% dos contratos, Araújo afirmou que buscaram o engajamento de toda a cúpula do PMDB acima de Cunha. Temer, por seu turno, conforme noticiado pela Folha, confirma que a reunião aconteceu em seu escritório político de São Paulo, mas nega “que nela tenham sido discutidos valores ou acertos excusos”.
Araújo disse que não foram discutidos valores na reunião, mas em todo momento era frisado, principalmente por Cunha, que o PMDB se empenharia na
aprovação do contrato de US$ 825 milhões entre a área internacional da Petrobras, que o partido controlava, e a Odebrecht. E também afirmou que os valores já tinham sido acertados em reuniões anteriores entre Cunha e João Augusto Henriques. Segundo ele, não se falou no valor da propina, mas sim “de todos os compromissos que a gente tinha assumido e que a empresa ia honrar. (...) Não se fala explicitamente [dos 5%], mas fica implicitamente subentendido que a cúpula estava abençoando o processo". E coroa com a seguinte declaração: "O Michel Temer assentiu, falou, 'Ó, tá bom, feliz aí, a Odebrecht é uma grande empresa, preparada para trabalhar no exterior e tal".
Além disso, Faria disse que a reunião foi comandada por Temer e diz que ficou impressionado com a naturalidade com que a propina foi cobrada. "Foi a única vez em que estive com Michel Temer e Henrique Eduardo Alves e fiquei impressionado pela informalidade com que se tratou na reunião do tema 'contribuição partidária', que na realidade era pura propina", escreveu ele no termo entregue aos investigadores.
Os dois delatores da empreiteira disseram que Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara, também participou da reunião. Alves nega que tenha ido. A PGR diz que Temer não é alvo de investigação pois conta com imunidade temporária, não podendo “ser investigado por atos alheios ao seu atual mandato”.
Temer nega propinas e diz que os empresários foram ao seu escritório pois “queriam conhecer o candidato a vice-presidente” e que “estavam dispostos a ajudar em campanhas do partido”. Disse ainda, em nota, que não se mencionou contratos internacionais e que a conversa girou somente “sobre política nacional e eleições no país”.
E finaliza a nota de Temer: "O presidente defende que as irregularidades apontadas no contrato devem ser apuradas e, os responsáveis, punidos pelo judiciário. Quanto ao senhor João Augusto Henriques, ele já circulava no meio político de Brasília há anos, sem contudo ter qualquer proximidade com Michel Temer".
Fonte: Luis Nassif Online
Edição: Mário Pires Santana