sábado, 15 de abril de 2017

Como será o amanhã?

Por Arimatéia Azevedo

As delações do fim do mundo, como foram nominadas, promovidas por ex-diretores e proprietários da empresa Odebrecht, demonstram, claramente, que farão muito mais estragos do que se poderia imaginar. Há confirmação do comprometimento dos políticos de maior projeção nacional, dos partidos mais importantes e de alguns nanicos, distribuídos em todas as casas legislativas, do Executivo, de governos estaduais, e até nos Tribunais de Contas, comprovando que a corrupção está enraizada, de uma forma tal, no estado brasileiro, que se tornou um vírus institucionalizado, tal a forma banal com o que é tratada, fato realçado, especialmente, nos relatos cheios de gracejos de Emílio e Marcelo Odebrecht. Pelo que já se sabe, as verbas públicas no Brasil foram guiadas, ao longo de várias décadas, sob o domínio absoluto dos corruptos que encontraram espaço fácil entre colaboradores do mais alto escalão dos sucessivos governos, chegando mesmo aos Presidentes da República, todos gerindo os recursos do povo, exclusivamente, de modo a receber o dinheiro da propina, debilmente chamado de taxa de retorno, que embalou campanhas, mandatos, além de uma farra sem-fim mundo afora desses inescrupulosos. A falta de celeridade da justiça, entretanto, pode ser um grande empecilho para que os casos sejam todos devidamente esclarecidos, a tempo de um posicionamento mais claro e justo do eleitorado brasileiro, em 2018. Daqui para lá, além disso, os políticos estarão se movimentando como nunca, e já se tem notícia de acordos entre os últimos presidentes e o atual, de modo a conseguir aprovar determinadas leis esdrúxulas, e inconstitucionais, visando permitir que o crime de caixa dois e outros correlatos possam ter as suas penas abrandadas, ou até mesmo extintas. Este é um momento especialmente delicado, que vai destacar a grandeza da democracia brasileira, ao conseguir superar uma penosa travessia em que se pretende separar o joio do trigo, abrindo-se esperanças para um novo amanhã, que, até aqui, ninguém sabe como será.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana