quarta-feira, 19 de abril de 2017

Fatos desmascaradores

Por Arimatéia Azevedo 

A revelação do delator da Odebrecht Alexandre Barradas, sobre ter dado dinheiro ‘não contabilizado’ para Firmino Filho, através de um primo, de nome Alberto, em Recife, bate com a verossimilhança dos fatos relacionados à Agespisa, o problema de abastecimento d’água e esgotamento de Teresina, da forma como aconteceram, que é de conhecimento de todos. Primeiro: o alegado dinheiro 'por fora' seria algo em troca do serviço de concessão, de R$ 1,7 bilhão, da Agespisa, valor correspondente ao alardeado volume de recursos a ser investido no sistema de água esgoto de Piauí nos próximos 20 anos, cujo processo licitatório, ganho pela Aegea (e não pela Odebrecht), está sendo questionado judicialmente. Mesmo não sendo do domínio da prefeitura o plano de obras e investimentos no setor, o prefeito Firmino estava comprometido em criar problemas para a Agespisa e, desse modo, favorecer a Odebrecht.. E olha só a coincidência: o delator lembra em sua fala que Firmino criou a agência de águas ‘para constranger ao máximo a Agespisa’, uma empresa falida, com 10 diretorias que, por sua vez, se transformou em celeiro da corrupção, de governo a governo. Então, mais chocante de tudo, é que, além dos R$ 250 mil não contabilizados, entregues em Recife, o prefeito de Teresina já havia recebido dois preciosos mimos: um de R$ 350 mil e outro de R$ 150 mil, via diretório nacional do PSDB. Firmino, talvez por imaginar que ninguém tomaria conhecimento do depoimento de Alexandre Barradas, insistia (e talvez ainda insista) que só recebeu doação via diretório nacional do PSDB, sem dar ou prometer nada em troca. O que os fatos por si desmentem. Ele deu muito, em troca. Tanto que bateu muito, ameaçou até tirar a concessão do governo do Estado, certamente, confirmando tudo que o delator falou para os procuradores, ou seja, buscando cumprir o que acertou com a Odebrecht. Os fatos por si são reveladores. E desmascaradores.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana