quinta-feira, 20 de abril de 2017

Moro: sorrisos para Temer, carranca para Lula

POR *ALEX SOLNIK

A primeira vez em que eu e a torcida do Flamengo vimos o juiz Sergio Moro sorrir foi na conversa animada com Aécio Neves no evento de premiação dos melhores do ano passado. A segunda foi ontem, ao cumprimentar Temer na cerimônia de entrega de medalhas de Honra ao Mérito Militar.
Moro estendeu a mão e sorriu para um presidente da República que é acusado por ex-diretores da Odebrecht de ter comandado a negociação de 40 milhões de dólares em propina para o PMDB. E que só não está sendo investigado devido a um artigo da constituição e não por ser um homem de reputação ilibada.
Moro estendeu a mão e sorriu para um presidente da República que acobertou publicamente o ex-deputado Eduardo Cunha já condenado, inicialmente, a 15 anos de prisão e segue atendendo seus pedidos de nomeações de aliados. Moro estendeu a mão e sorriu para um presidente que criou um ministério para acobertar seu amigo Moreira Franco, também delatado pela Odebrecht.
Moro estendeu a mão e sorriu para um presidente cujo principal ministro, Eliseu Padilha é acusado, também por ex-diretores da Odebrecht de ser o principal intermediário entre a empreiteira e o partido nas negociações de propina. Moro estendeu a mão e sorriu para um presidente cujo governo tem oito ministros
sob investigação por corrupção.
Os gestos falam por si. Eu nunca vi o juiz Sergio Moro sorrir e estender a mão a Dilma ou a Lula.
Para eles, Moro reserva a carranca, talvez para intimidá-los.
*Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos".
Fonte: Brasil 247
Edição: Mário Pires Santana