quinta-feira, 27 de abril de 2017

O furto “democratizado”

Por Arimatéia Azevedo

A operação da polícia civil para prender gente bacana que furta energia, num condomínio de luxo chamado Fazenda Real, zona rural leste de Teresina, é somente a ponta do iceberg de uma contumaz roubalheira de que é vitima há anos a concessionária de energia elétrica do Piauí (Cepisa/Eletrobras). Somente no ano passado, as perdas com energia concentradas no furto e desvio chegou a 909.218 quilowatts, ou seja, mais que três vezes a produção da usina de Boa Esperança e a praticamente toda a energia gerada nos parques eólicos instalados no Piauí. Transformando-se isso em dinheiro, temos uma perda financeira na ordem de meio bilhão de reais – embora a empresa tenha divulgado R$ 120 milhões. No ano passado, combatendo os donos destes “gatos gordos” que drenam receitas através do furto de energia, Cepisa/Eletrobras conseguiu fazer com que as perdas fossem menores que o previsto. Poderiam ser de 32,06%, mas terminou no balanço fechando em 30,66%. O número é aterrador porque evidencia que existe uma espécie de democratização do crime: um grande número de consumidores furta energia e acham perfeitamente normal e lícito que se proceda assim. Ocorre é que quando alguém deixa de pagar pela energia fornecida, o custo vai para o cidadão honesto que paga sua conta em dia, porque a tarifa será sempre maior para compensar o desvio feito por espertalhões como os presos ontem.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana