sexta-feira, 5 de maio de 2017

A filial do Estado Islâmico em Parnaíba

Por *Pádua Marques

Imagine se o prefeito de São Paulo, João Dória Júnior, metesse naquela cabeça de vento de desocupar o centenário edifício do Museu do Ipiranga, onde segundo a história do Brasil o príncipe dom Pedro proclamou a independência e instalar um abrigo pra moradores de rua, drogados, ladrões de celular, de carros e de motos, arrombadores, homicidas e arruaceiros que estão infestando a famigerada Cracolândia na região do centro velho de São Paulo? Imagine o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, mandando sem mais nem menos, desalojar os centenários e importantes Museu Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional na avenida Rio Branco pra neles instalar abrigos de drogados, fumadores de crack e de maconha, ladrões, arrombadores de lojas e de residências e que infernizam e intranquilizam a segurança de toda a população carioca?
Imagine se os prefeitos de Petrópolis e Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, seguissem os exemplos nefastos de seus colegas, carioca e paulistano metessem a marreta no Museu Imperial pra neles instalar abrigos de moradores de rua? São centros culturais e de pesquisa científica de referência no mundo inteiro e são procurados por centenas de milhares de estudantes,
turistas, curiosos. Dão estes centros orgulho e dimensão à história do Brasil. Mais aqui em baixo imagine se ocorressem situações semelhantes em Manaus, Belém, Salvador, Recife e Fortaleza? Qual o destino do Teatro Amazonas, do Mercado do Ver o Peso? E lá em Minas, o Museu da Inconfidência?
Em Brasília o Museu do Candango? Tem é lugar pra num espaço desses se elencar como de natureza importante pra história e o patrimônio de pedra e cal. Se for desse jeito e se esses prefeitos seguirem o exemplo de Mão Santa, prefeito de Parnaíba, no Piauí, dentro de pouco tempo não vai restar pedra sobre pedra pra contar a história. Semana passada estive no Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba, na rua Duque de Caxias. O presidente Reginaldo Pereira do Nascimento Júnior estava aflito. E não era pra menos. A prefeitura, depois de retirar a Biblioteca Municipal da parte do térreo pretende instalar um abrigo pra moradores de rua. 
Até que a questão da retirada da biblioteca pública pra uma escola desativada na rua Marechal Pires Ferreira faz sentido, se justifica, dada a precariedade em que estavam as salas e o acervo. O que não se justifica e nem entra na cabeça de ninguém é a pretensa vontade de se instalar ali um abrigo pra moradores de rua na região do centro histórico! Pelo que ouvi do presidente o pessoal da prefeitura não quis nem saber dos argumentos e as consequências desta medida.
*Jornalista, escritor
Edição: Mário Pires Santana