domingo, 30 de julho de 2017

Temer receia traições, mas aposta em racha de adversários

Por Jornal GGN

Ainda restam dúvidas à grande maioria dos aliados do atual presidente Michel Temer sobre os riscos de se manter o apoio. Enquanto imagem do mandatário vai se tornando cada vez mais insustentável, os parlamentares – governistas e oposição – sabem que é preciso arrecadar tempo, até que a reforma política seja aprovada com alternativas de financiamento para 2018. 
Nessa linha, é preciso, antes, um esforço concentrado ainda em agosto na Câmara, logo da volta dos trabalhos legislativos, para votar a denúncia que recai contra Temer na Casa. É que a ação trava a pauta para outros temas importantes, como a própria reforma, que os deputados esperam estabelecer alternativas para o financiamento das disputas eleitorais. 
Isso porque há um outro limite de tempo: tais modificações devem ser concluídas no Congresso até setembro para que possam valer para o próximo ano. Partidos da base aliada, do distritão e grandes siglas mostram-se preocupadas com a organização para bancar os recursos das campanhas eleitorais. Uma das opções é o fundo partidário, que pretendem ampliá-lo com o uso dos montantes destinados à Câmara e ao Senado.
Mas antes de qualquer debate sobre o assunto, a Câmara precisa dar uma resposta à denúncia contra Michel Temer, se levará o processo ao Supremo
Tribunal Federal (STF) ou se absolverá o peemedebista. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), apresentado como um dos fiéis escudeiros do mandatário e, ao mesmo tempo, uma das principais opções de sucessão presidencial em caso de queda, vem dando sinais de que a fidelidade tem limites. 
Em esforço para, pelo menos, votar rapidamente a matéria, Maia garantiu que a sessão de quarta-feira, 2 de agosto, agendada para a votação, terá quórum de dois terços dos deputados. Por outro lado, além das formas de se garantir a vitória junto a seus aliados com a liberação de emendas e outras articulações, Temer aposta que a oposição irá se dividir, garantindo de vez a sua absolvição. 
Isso porque já para admitir a presença, os adversários mostram que ainda não adotaram consenso. O PT confirmou que estará com seus parlamentares na sessão, mas partidos como o PSOL e a Rede pretendem levar seus deputados apenas se a maioria dos governistas comparecer. Por outro lado, o próprio líder da Rede, Alessandro Molon, alertou que a falta de quórum interesse somente ao presidente. 
Ainda assim, essa será a tática adotada por parte dos parlamentares da oposição caso queiram manter Michel Temer no poder: "A oposição não pode fazer o jogo do governo. [Mas] o deputado que votar a favor do governo vai pagar um preço altíssimo com os eleitores, que cobram o afastamento do presidente. Se ele tiver a opção de não aparecer, o desgaste será muito menor", explicou Molon. 
Entre as movimentações para se colocar em peso voto a voto pela sua vitória, Michel Temer não deixou de licenciar 12 dos seus ministros para participarem da sessão da Câmara e votarem a seu favor. A aposta em doze dos nomes aliados deixou claro que o mandatário não está de todo seguro e receia traições.
Fonte: Luis Nassif Online
Edição: Mário Pires Santana