sábado, 26 de agosto de 2017

A alta do dólar e a melhora nos serviços favorece o turismo

A Gol e a Latam estudam concentrar as suas conexões em aeroportos nordestinos. A rede hoteleira da região não para de crescer.
Por Roberto Rockmann
Mar, sol e praia praticamente o ano todo/Alberto Chagas/iStockphoto
Principal destino turístico de brasileiros em viagens de lazer, o Nordeste poderá atrair ainda mais visitantes nos próximos anos. A concessão de aeroportos na região e a decisão de companhias aéreas de concentrar suas operações regionais em uma das capitais, de olho em voos domésticos e internacionais, tendem a levar empresas e secretarias de Turismo a traçar novas estratégias para aumentar o fluxo de passageiros.
A Gol e a Latam estudam concentrar suas conexões aéreas no Nordeste. A Gol, em parceria com a Air France KLM, analisa a possibilidade de estruturar operações em Fortaleza, Recife ou Salvador. A cidade escolhida, além de reunir conexões, poderia ser o centro dos voos da Air France KLM para a Europa. A Latam, por sua vez, vai decidir entre Recife, Natal e Fortaleza. A disputa, ainda sem data para ser definida, ocorre em meio às novas concessões de aeroportos pela União. Em março, dois aeroportos na Região Nordeste, o de Salvador e o de Fortaleza, tiveram seus controles transferidos para a iniciativa privada. Oitavo mais movimentado do País, a 25 quilômetros de Salvador, o terminal Luís Eduardo Magalhães foi concedido ao grupo francês Vinci por 1,59 bilhão de reais, ágio de 113%. Segundo José Alves, secretário de Turismo da Bahia, a expectativa a partir de agora é positiva para a quarta cidade mais visitada por estrangeiros no Brasil. “A Vinci tem prospectado voos internacionais e se interessa por um centro de conexão de voos com o objetivo de atrair passageiros.” A empresa também planeja ampliar a oferta de portões de embarque de 12 para 21.
O grupo alemão Fraport arrematou por 1,5 bilhão de reais o aeroporto internacional Pinto Martins, em Fortaleza, o décimo segundo mais movimentado do País e o terceiro da Região Nordeste. O Aeroporto de Fortaleza embarca 6,3 milhões de passageiros por ano. Em 2047, esse número pode chegar a 29,2 milhões. Em 2011, o Aeroporto de São Gonçalo de Amarante, no Rio Grande do Norte, havia sido concedido.
No fim deste mês, o governo federal deverá decidir se novos aeroportos serão transferidos à iniciativa privada. Na lista de candidatos estão todos os seis aeroportos das capitais da região ainda estatais: Recife, Maceió, São Luís, João Pessoa, Teresina e Aracaju. Ainda poderão ser concedidos os terminais de Juazeiro do Norte (CE), Imperatriz (MA), Paulo Afonso (BA), Parnaíba (PI) e Campina Grande (PB).
“O aeroporto é a porta de entrada do turista, então melhoras neles são muito benéficas”, afirma Claiton Armelin, diretor-geral de Produtos Nacionais da CVC. Cerca de 70% das vendas de uma das principais operadoras de turismo nacional estão concentradas em pacotes para destinos no Brasil. Dessa fatia, três quartos são de viagens para o Nordeste, onde o sol, as praias e a comida regional são atrativos para os brasileiros, mesmo em tempos de crise.
Em julho, os destinos que lideraram a preferência estavam na Bahia, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte
“Alagoas e Ceará tiveram um crescimento forte neste primeiro semestre e os indicadores que usamos, como o de matrículas em academias de ginástica com o pessoal se preparando para o verão, apontam que as férias de verão devem ter demanda aquecida. O Nordeste continuará a atrair viajantes”, aponta Armelin.
Em julho, os destinos que lideraram a preferência estavam na Bahia, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte. “Embora as capitais sejam a porta de entrada, temos percebido que os turistas buscam cada vez mais os vilarejos e povoados com praias desertas, aquilo que chamamos de ‘Nordeste Preguiçoso’, com pousadas à beira-mar.”
Para atender esse público, a CVC aposta em produtos. O exemplo mais recente é o lançamento dos voos diretos e fretados para Jericoacoara (CE), que inaugurou seu aeroporto em junho. Há, todos os sábados, um voo exclusivo a partir do Aeroporto de Congonhas, na capital paulista.
Antes o cliente só chegava no local através de Fortaleza, em um trajeto terrestre que demora até cinco horas. A ideia foi inspirada nas experiências bem-sucedidas de Porto Seguro, na Bahia, e Porto de Galinhas, em Pernambuco.
Em julho, a Gol iniciou o primeiro voo internacional de João Pessoa para Buenos Aires, na Argentina. Com esse lançamento, os clientes terão à disposição partidas aos sábados, com escala em Maceió, e retorno direto para a capital paraibana. Esta é a sétima base da empresa no Nordeste com voos para a capital argentina, que conta com frequências regulares de Recife, Salvador, Fortaleza, Natal, Porto Seguro e Maceió.
Para Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, as viagens de brasileiros para o Nordeste devem aumentar no próximo verão, por causa da melhora, ainda que tímida, da economia. “O Nordeste continua sendo objeto de desejo e a hotelaria, que tem sido reforçada com investimentos, seja em resorts, seja em pousadas de luxo, seja em leitos mais acessíveis, é um trunfo.” O número de leitos disponíveis para hospedagem nas nove capitais do Nordeste cresceu 9,3% nos últimos cinco anos.
A região concentra a segunda maior oferta hoteleira do Brasil, atrás apenas do Sudeste, e abriga em seus nove estados 7,4 mil empreendimentos com disponibilidade de 539 mil leitos, segundo dados do Ministério do Turismo. Entre as capitais nordestinas, Salvador é a cidade com maior oferta, 35,1 mil unidades, seguida de Fortaleza, com 30,7 mil, e Natal, com 28,4 mil.
Quando se trata da quantidade de empreendimentos hoteleiros (hotéis, pousadas, flats, motéis e albergues, entre outros), Teresina destaca-se entre os municípios de maior crescimento nesse quesito. A capital do Piauí, com 38,8% de expansão na rede hoteleira, perde somente para Belém do Pará, onde o número de estabelecimentos subiu 51,6%.
Fonte: CartaCapital
Edição: Mário Pires Santana