segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A vitória da mulher atual

  Monalysa Alcântara/Foto/Ana Ceribelli/BE Emotion
Por mais conquistas alcançadas pelas mulheres é notório o quanto ainda sofrem. De discriminação a agressões físicas e morais, tem de tudo. O mais lamentável é a conivência do campo social onde a mulher muitas vezes é tachada como inferior e incapaz. Por isso, exemplificando, numa situação de assédio a culpa recai muitas vezes para elas.
É absurdo? Evidente que sim. Principalmente quando essas acusações imbecis vêm de setores esclarecidos ou até de outras mulheres. Precisa-se entender nunca ser a mulher culpada. Sim, até nos casos onde é notório que ela está “se aproveitando” não se deve culpá-la logo de cara. Um exemplo típico é da atual primeira-dama da nação, Marcela Temer. Desde sua aparição nacional ela é apontada como “aproveitadora e interesseira”, por causa da discrepância (beleza e idade) com seu marido. A população não perdoou.
Não se quer aqui defender a pessoa Marcela Temer, que parece ser uma mulher ligada a futilidades e gostar de boa vida, mas por conta disso ninguém pode julgá-la de ser ela a “malvada” da história. Conhecendo a cada dia a personalidade de seu marido, quem garante o que o mesmo não fez para “conquistá-la”? Poesia tenho certeza que não foi.
Dessa forma entra em debate a misoginia, que muitos desconhecem seu significado. Um ser misógino é aquele a possuir repulsa, desprezo ou ódio contra as mulheres. Devido ao aspecto histórico de sermos uma civilização patriarcalista, convivemos com muitos misóginos que nem se dão conta de possuir este defeito. Acha exagerado? Quantos palavrões a ex-presidente Dilma sofria diariamente pelo fato de ser mulher? Era um tremendo absurdo para esses retardados termos uma mulher no comando da nação.
Criado para enaltecer a submissão feminina, felizmente o Miss Brasil acompanhou a evolução do chamado empoderamento feminino. Hoje aquela beleza estonteante não basta para convencer; é preciso ter inteligência, desenvoltura e personalidade. E neste ano de 2017 tivemos a satisfação da piauiense Monalysa Alcântara sagrar-se vencedora, com toda a justiça e merecimento. Pois além de representar a beleza brasileira, é detentora de um charme e simpatia encantadores.
Sem dúvida alguma Monalysa sofreu ainda mais dos misóginos. Mulher negra, inteligente e decidida ainda causa espanto em uma sociedade de mentalidade atrasada e conservadora. Beira ao ridículo o que relatarei agora mas, para mim, não foi surpresa alguma os comentários racistas igualando ao nazismo de muitos do Sul do país e até do Nordeste.
O prêmio de Monalysa é a vitória da mulher atual: forte, de luta, decidida e sem perder todo o charme feminino. E para parabenizar Monalysa e todas as mulheres, deixo essa mensagem de Sêneca, filósofo romano: “uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas”.
Por Joaquim Loureço/Conciso
Fonte: Piauí Hoje
Edição: Mário Pires Santana