quarta-feira, 16 de agosto de 2017

BERNARDO DE CARVALHO AGUIAR E A VIlLA DA PARNAHIBA

Por *Vicente de Paula Araújo Silva "Potência"

Nasceu em Vila Pouca de Aguiar (Portugal), filho do nobre Antonio Silvestre de Aguiar e faleceu em 1730, em São Bernardo (MA). Ao chegar ao Brasil, domiciliou-se na Bahia, onde constituiu família, casando com Dona Mariana da Silva, com a qual, teve os filhos Miguel de Carvalho Aguiar e Dona Antonia Aguiar, que se casou com o Sargento-Mor, Manuel Xavier. Iniciou suas atividades militares em meados de 1690, por intermédio de José Garcia da Paz, que havia recebido de Dom Frei Manuel da Conceição, Bispo de Pernambuco, governador interino da Capitanía de Pernambuco, a missão de combater os Percatís, que estavam provocando danos e desassossegos aos moradores do sertão das Rodelas. Alí, em lutas sua bravura destacou-se. Ainda no verão de 1690, aventureiros lusitanos, pernambucanos e baianos, passaram a ocupar os vales oriental e ocidental da Ibiapaba, onde missionários jesuítas haviam pacificado os índios. Então, os Crateús, sentindo-se oprimidos pela invasão colonizadora, fizeram fortes ataques a esses curraleiros, que atemorizados pediram socorro ao Governo do Brasil. Diante desse fato, Iniciou-se então, a participação do Capitão Bernardo de Carvalho Aguiar na região, que chegou ao campo de operação vindo pelo sertão das Cajazeiras, conseguindo a pacificação daqueles selvícolas,
possibilitando o aldeamento dos mesmos pelos padres da Companhia de Jesus. Daí, veio o seu prestígio junto aos selvícolas da região, pois sabiam que ele não usava a prática da época em que era permitida a escravização e venda de presas de guerra. O seu intuito, era afastar o gentio das proximidades das fazendas ocupadas pelos curraleiros lusitanos, baianos e pernambucanos. Vendo reais possibilidades de ganhos econômicos, resolveu também criar currais de gado . Assim, instalou-se inicialmente, em cabeça do Tapuio (São Miguel do Tapuio), de onde seguiu em 1694 para o lugar onde hoje é a cidade de Campo Maior e posteriormente foi morar na Villa Velha da Parnahiba, originando daí a
cidade de Bernardo (MA). É considerado o fundador de São Miguel do Tapuio, Campo Maior e São Bernado (MA).
Em 1696, morava na Faz. Bitoracara, no rio do mesmo nome, com 04 negros, quando recebeu a patente de Cap.Mor de infantaria da Ordenança do distrito da Cachoeira – BA. Mais tarde, foi elevado a patente de Coronel do mesmo regimento. Ao se instalar em Bitoracara, convidou no ano de 1696, o missionário jesuíta Pe. Ascenço Gago, para fundar no lugar uma missão jesuíta, a qual, foi instalada no final daquele ano. 
Antonio da Cunha Souto Maior, era comandante da Campanha anti-indígena do Governo do Maranhão em 1708 , quando com a Patente de 1º Mestre de Campo do Piauí, pediu a colaboração de Bernardo Carvalho Aguiar, e nas suas terras fez o seu acampamento, onde o mercedário Frei Manuel de Jesus e Maria, passou a ser o responsável pela implantação da fé cristã. Após, quatro anos de atividades desastrosas junto aos índios e desentendimentos com o seu irmão, então, Capitão-Mor da Cia Indígena, o primeiro Mestre de Campo do Piauí - Antonio da Cunha Souto Maior - foi assassinado em 12 de julho de 1712, por aldeados, incitados por Mandu Ladino. O seu próprio irmão foi preso como mandante do crime. Nessa época o Coronel, Bernardo de Carvalho Aguiar estava desvinculado da hierarquia militar pernambucana, estando apenas cuidando dos seus currais de gado.
Após o assassinato de Antonio da Cunha Souto Maior, a revolta dos índios espalhou-se na região. Então os fazendeiros do norte reunidos, redigiram um abaixo assinado indicando o Coronel Bernardo de Carvalho Aguiar, para substituir o sinistrado, ato aprovado pelo governador do Maranhão, Cristóvão da Costa Freire , em 30 de dezembro de 1712, com a assinatura de sua Carta Patente como Mestre de Campo.
Entretanto, em 20 de setembro daquele ano, antes de receber a Carta Patente, iniciou as operações de combate ao gentio rebelado. Depois da caça aos anacês em fuga e de muitas escaramuças com prisões, mortes e recuperação de bens seqüestrados de curraleiros, já retornando da área da Ibiapaba, chegou a ribeira do rio Piracuruca , onde, teve notícias de que os índios Araíós e Anapurus, haviam atacado a chamada Villa de Nossa Senhora do Monserrathe da Parnahiba, capitaneada na época por João Gomes do Rego Barros, casado com Maria do Monte Serrate Castello Branco. 
Então, a sua tropa descansava das canseiras das lutas travadas com os anacês, enviou uma à povoação atacada com a finalidade de socorrer os seus habitantes aflitos. A respeito dessa empreitada, o padre franciscano Frei Lino Demescent , se referiu ao Mestre de Campo, escrevendo o trecho a seguir – doc.13/01/1715 : “ E vendo a desolação que nos tinha feito o gentio, pelos seus repetidos incursos e cercos, matando-nos alguns homens e quantidade de cavalos e eguas, roubando a seu Missionário, profanando a Igreja e, com uma sacrílega temeridade, cortando as narinas dos santos, se resolveu, com todo o rigor do tempo, a mandar, como o fez, uma bandeira escolhida de sua tropa, me escolhendo por Capitão dela. Partindo aos 8 de dezembro”. 
Logo depois do envio desse aparato militar, o experiente Mestre das Conquistas, seguiu com outros comandados e juntando a tropa sob seu comando, avançou ao confronto com os sublevados, resultando positivamente a sua ação..
Após o resgate da vila, o Mestre de Campo teimava em perseguir os nativos no delta do Parnaíba. Mas, atendendo a conselhos de colaboradores, optou em enviar uma proposta de paz aos índios que responderam nada quererem com os brancos, mas , sim viver nas suas terras sem o nosso comércio. Pediram apenas um sacerdote para morar com eles e lhes administrar o sacramento. Os moradores da villa, acharam viável a posição dos mesmos e assim Frei Lino Demescent ficou com eles durante um ano, quando, curraleiros da região da Parnaíba e do Ceará, não se contentando com índios livres próximos a eles, forçaram a saída do mentor espiritual cristão, encerrando o primeiro aldeamento no delta parnaibano. 
Após 11 anos desse fato, esses selvícolas foram aldeados por missionários jesuítas, sob custódia maranhense, fato que resultou na perda da maior parte do delta do rio Parnaíba para o estado do Maranhão.
Sabe-se que apenas uma ordem superior não foi cumprida prontamente pelo arrojado militar. É que a mando da metrópole, se fazia necessária a prisão dos proprietários do sítio Buriti dos Lopes, por questão envolvendo a invasão dos mesmos às terras dos índios Tremembés. Talvez pela amizade e respeito a família, essa missão não foi cumprida. Posteriormente, um membro da família Lopes – Antonio de Oliveira Lopes – solicitou e recebeu a confirmação do posto de Sargento-Mor da Villa de Nossa Senhora de Monserrathe da Parnaíba, em substituição ao português Manuel Peres Ribeiro, matador de Mandu Ladino no exercício da função, o qual, havia voltado para Portugal. O ato foi consumado em 07 de maio de 1724 de acordo com a carta patente da função. 
Tudo isso, é estória que tem a ver com a história da Parnaíba.
*Potência há muito vem fazendo pesquisas cuidadosas sobre a história remota da Parnaíba, desde o início do Século XVIII. Um trabalho, esclarecedor, admirável!
Edição: Mário Pires Santana