domingo, 13 de agosto de 2017

ESTÓRIAS A RESPEITO DA HISTÓRIA DE PARNAÍBA

Sendo amanhã 14 de agosto, aniversário da Parnaíba, quando completará 173 anos, vale a pena ler de novo um pouco de sua existência.
Por *Vicente de Paula Araújo Silva “Potência”

Até poucos anos atrás muito pouco se conhecia da história real do Piauí, já que pouco se divulgava o assunto nas escolas e meios de comunicação. O tempo de existência da Parnaíba ganhou notoriedade no final de 2008 a partir do questionamento, de Mário Pires Santana, escrito no jornal Norte do Piaui. Diante disso é necessário o conhecimento de dados que contribuem fortemente para o entendimento da situação. Sabe-se que antes mesmo de 22 de abril de 1500, data oficial do descobrimento do Brasil, a região litorânea do Piauí na área compreendida do vale do ABIUNHAM, hoje denominado Rio Parnaíba, inclusive o seu Delta até o vale do Rio Timonha, abrangendo a Serra da Ibiapaba, já era visitada por exploradores europeus conforme registros históricos e náuticos do velho continente. O náufrago português Nicolau de Resende foi acolhido no Delta pelos nativos em 1571, e deu testemunho dessa realidade. Pero Coelho de Sousa, em 1603, vindo da Paraiba, passando pela Serra da Ibiapaba no Ceará, onde, prendeu aventureiros franceses lá estabelecidos e submeteu os índios da região ao arbítrio da coroa portuguesa. Tentou chegar à Ilha do Maranhão, objetivando expulsar de lá outros franceses que comercializavam com a Europa , vários produtos notáveis

da época. Essa missão guerreira, já em 1604, descendo a serra, margeando os rios Piracuruca e Longá chegou até o rio que o açoreano Pero Lopes Coelho chamou de Punaré, hoje denominado Rio Parnaíba, onde a tropa insubordinou-se e voltou para a Ibiapaba.
A partir de 1607 , a coroa portuguesa através de missionários jesuítas e capuchinhos estiveram na região, principalmente , durante o tempo em que existiu no Maranhão a França Equinocial. Foi nessa movimentação de ocupação das áreas úmidas da bacia do Rio Parnaíba que em 1616, surgiu a igreja de Nossa Senhora do Rosário na localidade Frecheira da Lama, atualmente município de Cocal, no vale do Rio Pirangí.
Depois disso a Companhia de Jesus implantou a Missão de São Francisco Xavier, a partir da Serra da Ibiapaba em direção ao Rio Paraguaçu (Parnaíba), aldeiando os Tabajaras no lugar que atualmente é a cidade de Viçosa do Ceará Em 12/10/1676, o governador de Pernambuco Dom Pedro de Almeida, concedeu as primeiras sesmarias de terras no interior do Piaui aos exterminadores de índios Domingos Afonso Mafrense, Julião Afonso Serra, Francisco Dias d´Ávila e Bernardo Pereira Gago. Posteriormente, Jerônima Cardim Fróes, viúva do mestre-de-campo Domingos Jorge Velho e outros oficiais do destroçamento do Quilombo dos Palmares receberam em 03/01/1670 , com efeito retroativo a 03/03/1687, terras às margens do Rio Potí. Nessa época, os índios da região norte, com exceção dos Tremembés que resistiam no Delta, já estavam submetidos a exploração portuguesa capitaneada principalmente pelos missionários jesuítas e capuchinhos advindos do Maranhão e Ceará. 
A incursão de Vital Maciel Parente em 1679 pelo Rio Parnaíba, além de abrir o caminho entre o Maranhão e o Ceará na área de domínio dos Tremembés, visava atalhar e coibir o comércio ilegal de navios estrangeiros com os tapuias, principalmente da madeira de lei “Violeta” muito abundante na época. Após isso, a coroa portuguesa passou a buscar meios de ocupação ordenada na região. Assim, em 1699, Leonardo de Sá e outros desbravadores solicitaram terras às margens do Rio Igaraçu em troca da submissão dos índios na região do Delta até a Serra da Ibiapaba. 
Efetivamente, a partir de 1699, com o surgimento dos primeiros fogos (moradias)_ às margens do Igará, posteriormente denominado Igaraçu, deu-se o início do povoamento civilizado da área que se efetivou no Porto das Barcas, onde existe até hoje a igrejinha de Nossa Senhora de Monserrate erguida em 1711. Esse local era denominado Villa Nova da Parnaíba ou Villa de Monserrate, e tinha como proprietário Pedro Barbosa Leal, membro da Casa da Torre, residente na Bahia. O seu preposto João Gomes do Rego Barros, pernambucano que exercia a função de Capitão-Mor, organizou a feitoria e a exportação de carne salgada. Em 1725 o governador de Pernambuco concedeu sesmaria em seu favor entre as barras dos rios Igarassu e Parnaíba. Com a cessão de outras propriedades a partir de 1727, estava deflagrada a ocupação da grande região da Parnaíba incluindo o Delta. 
Posteriormente, em 1761, após a autonomia do Piauí, foi instituída a Villa de São João da Parnaíba, tendo como sede o lugar “Testa Branca” hoje conhecido como Chafariz, e em 18/08/1762, com a presença do então governador João Pereira Caldas houve a instalação solene na igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo em Piracuruca. Entretanto, devido a forte pressão dos moradores da feitoria do Porto das Barcas, onde existia a força econômica movida pelo abate de gado e a exportação de carne salgada para outras regiões, o governador João Caldas voltou atrás e determinou que a sede da Villa fosse no lugar “Cítio dos Barcos” , posteriormente denominado Porto Salgado , atualmente conhecido como Porto das Barcas. 
Finalmente, em 14 de agosto de 1844, a então Villa de São João da Parnahiba, sob a influência do Cel. Miranda Osório, foi elevada a categoria de cidade com o nome de Parnaíba, continuando protegida pelo manto de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça. 
A nossa cidade tem três datas a comemorar a respeito de sua existência e estão devidamente instituída pela Lei N° 2581, de 13 de agosto de 2010 : 11 de junho de 1711 – Memória da Criação da Villa de Nossa Senhora de Monserrathe > 18 de agosto de 1762 – Instalação da Villa de São João da Parnaíba > 14 de agosto de agosto de 1844 – Elevação de Parnaíba a categoria política de cidade.
*PHB, jan.2007 , revisto em 13 de agosto de 2016.
Edição: Mário Pires Santana