quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Brasil é outro mundo

Foto: Divulgação
Por *Deusval Lacerda de Moraes

Por que o Brasil não consegue evoluir como Nação verdadeiramente democrática? Porque a sua direita é um estorvo, além de egoísta, patrimonialista, arrivista, revanchista, e nessas condições não permite avanços.
A direita brasileira é diferente da direita europeia, americana e do mundo desenvolvido ocidental. Pois essa direita trabalha, produz, tem bagagem técnico-científico-intelectual e provida de elevada capacidade empreendedora, e quando chega ao poder é por meio das ideias, propostas, planos, pelo voto popular e do respeito ao sistema democrático dos seus países.
É direita que não precisa do Estado para sobreviver e locupletar-se, diz pleitear o poder para influir nos destinos da Pátria, sempre no campo do debate e com as suas plataformas do que acha melhor para todos. Seja qual for o resultado eleitoral, obedece as regras do jogo democrático.
O Parlamento desses países exerce o seu papel de controle da atividade pública, eliminando os excessos e aprovando matérias relevantes para a sociedade, sem barganhas pessoais com o Poder Executivo, e sem servilismo ao Chefe do Estado e/ou da Nação. O atual presidente francês Emmanuel Macron é direitista, que derrotou a extrema-direita de Marine Le Pen. O povo francês o elegeu convencido do seu forte discurso de governar a França dos tempos modernos. Ele sucedeu o presidente socialista Francois Hollande que não foi feliz na gestão
francesa e que já havia sucedido o presidente direitista Charles Sarcozy.
Já a direita do Brasil, é uma velha conhecida. É incompetente, inepta, inoperante, incapaz, pois depende do Estado para sobreviver. Topa qualquer governo, em qualquer tempo, com qualquer um. É anti-povo, por razões escravocratas, por isso aproveita-se de qualquer governação para surrupiar qualquer coisa e ainda chafurdar para dar trabalho na rearrumação.
Sofreu ultimamente quatro derrotas presidenciais sucessivas e apelou para o golpe parlamentar-constitucional-judicial para lograr vantagem governativa e esfacelar o Estado Democrático e Social de Direito em plena evolução na nossa coletividade. Nesses cenários, chegou ao Brasil para participar de eventos políticos e culturais a jurista, ex-deputada e ex-ministra da Justiça da Alemanha oj Herta Daubler-Gmelin que ficou estarrecida com o atentado contra a democracia brasileira.
A democrata alemã, que também é professora de Ciência Política da Universidade Livre de Berlin e presidente do Grupo de Trabalho sobre Direitos Humanos do Partido Social Democrático da Alemanha, disse que vai denunciar o fato em todos os foros e instâncias da democracia da Europa. A ativista alemã impressionou-se com a astúcia, ardil, como a direita brasileira tomou o poder da presidente legitimamente reeleita pelo povo e, ainda mais, com as perseguições perpetradas contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Indignada, a jurista e ex-ministra da justiça alemã disse que há dúvidas sobre a isenção da Justiça do Brasil no processo do golpe. Ela não sabe que historicamente a Justiça brasileira sempre foi dócil às diabruras políticas nacionais. Começou na pantomima imperial; serviu aos oligarcas da República Velha; esteve com Getulio Vargas na sua ciclotimia política: revolucionário, ditador, tue eleito; foi rebaixada no Regime Militar; e, agora, dá sustentação jurídico-constitucional ao golpismo.
Dito assim, são nítidas as contradições políticas e institucionais brasileiras no papel de servir à direita usurpadora pátria, que possui um único objetivo: escamotear tudo para o Brasil não construir democraticamente uma Nação para se transformar efetivamente num pujante País. Sem entender direito o que se passa por aqui, alfinetou a cientista política alemã: "O Brasil é outro mundo".
*Deusval Lacerda de Moraes é articulista
Fonte: Piauí Hoje
Edição: Mário Pires Santana