domingo, 20 de agosto de 2017

Patrimônio Mundial sob ataque

Por Arimatéia Azevedo

Está arranhada uma das principais marcas do Piauí pelo Brasil e pelo mundo afora, o Parque Nacional Serra da Capivara, em razão de um ataque de caçadores que resultou na morte de um guarda ambiental, Edilson Aparecido da Costa Silva, e deixou mais cinco pessoas feridas, dentre elas dois guardas terceirizados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A Polícia Federal e a Polícia Civil do Piauí foram acionadas para apurar o crime, ocorrido na última sexta-feira (18). Apesar do susto e da comoção, o incidente, à luz do Direito, pode vir a ser considerado um crime previsível, ou seja, de culpa inconsciente, na medida que podia ser evitado se o agente responsável atuasse com o devido cuidado. Nesse caso, a culpa pode ser estendida a todos os gestores do Parque Serra da Capivara: o ICMBio, o Iphan, o governo estadual e a Fundação do Homem Americano, que desde o início desse ano, assumiram a gestão compartilhada do parque. No entanto, nesse ambiente, não é tão fácil apontar culpados. O dia a dia de caçadores naquelas matas é um impasse enfrentado há anos pela arqueóloga Neide Guidón, que tenta defender com unhas e dentes a unidade de conservação listada como Patrimônio Mundial, um reconhecimento conferido pela Unesco devido à enorme importância daquele parque para a humanidade. É tensa a relação entre comunidade, ambientalistas e arqueólogos. A caça de animais ameaçados, para alimentação familiar ou para o comércio, põe em risco de extinção várias espécies da fauna da região. E agora, como se vê, virou um caso de bang-bang, de matança de homens. Por pouco, os outros dois guardas que trabalhavam para salvar os animais, também não acabaram em churrasco, como tem sido o fim de muitos animais em conservação, diariamente, em um dos principais cartões postais do Brasil. O Brasil precisa levar aquele espaço mais a sério.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana