segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Tia relembra as dores e a superação de Monalysa

Erielma de Jesus com Monalysa/Foto/Arquivo pessoal
"Piauí perdeu Mona. Ela voou". Não serão comentários bairristas, preconceituosos e racistas que vão ofuscar o brilho da vitória histórica da simpatia, desenvoltura e inteligência de Monalysa Alcântara. Essa piauiense de 18 anos, negra assumida e bela por natureza. A tia, Erielma de Jesus, admite que o feito de "Mona" ainda não foi assimilado pela grande maioria. A ficha ainda não caiu para ninguém". Mas sabe que o destino da sobrinha já está traçado... É o sucesso, a fama. Monalysa voou realmente.
"Quando o pai faleceu ela tinha cinco anos. Foi aquela dor. Foi morar na casa dos avós para a mãe trabalhar. Desde os 14 anos de idade desfila e já sofreu preconceito. Sempre quando tinha aqueles concursos de beleza e havia meninas branquinhas e de olhos verdes, as melhores roupas eram colocadas nessas meninas. A roupa que era adequada para a Mona, diziam que ela não ia vestir pela cor dela. Ela ouviu isso e se incomodava, mas dizia: 'eu sou eu'. Ela é muito determinada. Ela não gostava quando falavam da cor dela, mas sempre foi autoconfiante. Ela é muito forte", avisou.
Dona Erielma lembrou a noite do desfile e a festa, com telão e torcida no meio
da rua, da família e dos amigos. "Até parecia a Copa do Mundo. Todos gritavam. Foi uma loucura. Haja coração. Ainda não acreditamos. Hoje que estou olhando o vídeo do momento que ela ganhou, pois no dia não assisti. Ficava pra lá e para cá. Botava a mão na cabeça, no coração e olhava para os avós dela, pois minha mãe é idosa e eu estava com medo. Mas eles são muito fortes. A avó dizia: ela vai ganhar; o avô falava do outro lado: confio nela",
Fonte: Redação/Piauí Hoje
Edição: Mário Pires Santana