terça-feira, 19 de setembro de 2017

Joaquim Saraiva: O homem, o sonho, uma realidade

Por *Mário Pires Santana
Conheci Joaquim Saraiva há muito tempo. Li seus artigos no Piagüí. Estive no lançamento de seus livros: “Amigo Velho” e “Reino da Palhaçada”. Observei o início da construção do seu teatro. Depois de um tempo, já via as paredes subindo. Escutei alguns comentários desairosos do tipo: isso é ideia de um louco, não vai dar certo... O tempo na sua transitoriedade passou rápido. O intrépido Saraiva mostrou aos incrédulos que seu sonho virou uma realidade. 
O imponente Teatro já nos mostra uma linda fachada envidraçada.
Passei muitas vezes em frente à construção. No dia 7 de julho resolvi parar e conversar com o amigo Saraiva. Conheci o interior da grande obra. Nunca imaginei que seria daquela dimensão – serão 304 poltronas, com espaço para mais 50. Palco imenso com área de 120 m² -- e que já estivesse com as instalações semiacabadas, com previsão de inaugurá-lo antes do final deste ano. À tarde continuamos com uma conversa gravada. Saraiva dissertou com detalhes o nascimento do sonho até os dias atuais. Ele construiu seu teatro exclusivamente com recursos próprios e ajuda da família. É aposentado desde 94 pelo Tribunal de Contas da União.
Nasceu em Floriano, morou em Teresina. Em 68 migrou para Brasília onde viveu por 25 anos. Lá, a vida lhe deu a régua e compasso para seguir sua vida nos estudos e nas artes cênicas. Bacharel em Administração, jornalismo, Rádio-TV e Cinema Ali nasceu o sonho de ter o seu próprio teatro. 
As dificuldades da grande cidade foram inúmeras, agravadas com um câncer que lhe causou dores físicas, mas em nenhum momento arrefeceu sua mente, sempre direcionada para as “artes do teatro e do cinema”. Resolveu voltar de vez ao Piauí em 1994. Escolheu a cidade de Luís Correia para morar. Ao não observar perspectivas positivas na área cultural daquela cidade, veio morar em Parnaíba. Cidade que ele hoje venera e agradece a acolhida. 
Depois de muitas lutas, dificuldades... Alvíssaras! Já no final da sua epopeia apareceu o jovem “Secretário de Cultura do Estado”, deputado Fábio Novo. Ao visitar Parnaíba veio conhecer o teatro. Ficou pasmo com a exuberância do edifício. Celebrou um “contrato de comodato” entre o Teatro e o Estado, através da “Lei de Incentivo à Cultura”, por cinco anos. O comodato fornecerá as cadeiras, cortinado, acústica, iluminação, camarins, carpetes, refrigeração e tudo o mais para funcionar em sua plenitude. Cederá cinco funcionários sem nenhum ônus ao teatro. O Espaço será multifacetado. Ministrará cursos da área: Bailarinos, maquiagem, dança, rádio e TV em suas imensas salas no “andar de cima”. Será incluído no programa “Seis & Meia”. Realizará festivais de cinema e teatro. Espetáculos que vierem para Teresina virão em seguida pro Teatro Saraiva. Em todos os eventos que vierem a Parnaíba, caberá ao teatro 30% da bilheteria.
Aos 68 anos, a carreira do ator, diretor, produtor, professor, escritor, Joaquim Saraiva, no teatro e no cinema é brilhante. Arrebatou inúmeros Troféus que ele guarda com zelo, carinho e devoção em uma das salas. Mas seu maior troféu é sem dúvida, a conclusão do Teatro Saraiva. Mas este ele não guardou para si. Ele deu de presente para Parnaíba. Um presente inestimável.
*Crônica publicada no Piagüí de agosto passado e no Jornal O Dia de Teresina Dia 12 deste.
Edição: Mário Pires Santana