sábado, 16 de setembro de 2017

Mais um encontro espúrio do Temer: desta vez com Trump

POR *EMIR SADER
A capacidade de sobreviver do governo Temer confirma a podridão do sistema politico brasileiro. Basta um presidente, chegado mediante um golpe ao governo, agradar em tudo aos bancos, usar à sua revelia todos os recursos possíveis para comprar apoios no Congresso, e aparecer como a alternativa ao retorno do Lula ao governo, para que possa sobreviver. Não importa se conta com apoio mínimo da população e com a rejeição da maioria esmagadora, não importa se todo mundo sabe que é o chefe de uma gangue que assaltou o poder, não importa se nem boa parte dos meios de comunicação – incluída a Globo – o apoia mais. Não importa se o presidente do Brasil é vitima de galhofas no exterior,- entre elas o apelido de Mr. Fora Temer - que ninguém mais leve a serio o mandatário do maior pais da America Latina. Demonstra que se pode ser presidente do pais corrompendo ao Congresso, contando com conivências no Judiciário, usando o dinheiro como forma de se manter no poder. O governo Temer tornou-se o melhor governo que o dinheiro pode comprar no Brasil e o Congresso e o Judiciário, cúmplices do governo mais corrupto que o país já conheceu.  O presidente golpista recebe, na calada da noite, em dependências presidenciais, cúmplices de toda ordem, desde membros do STF a gente da sua gangue, que depois rompe relações com ele, denunciando os mais
graves crimes que um chefe de Estado pode cometer, incluindo o recebimento de dinheiro em malas devidamente carregadas para ele por um dos seus asseclas. Ele chegou e levantar a cerca de plantas na residência presidencial, tentando esconder os distintos tipos de bandidos que entram a fazer conluios com ele, às vezes em plena madrugada, de dias de fim se semana. Ninguém jura mais pelo tipo de gente que entra e sai da residência presidencial, com que tipo de recursos entra e sai, com que tipo de intenções.
É um governo que não governa, que apenas sobrevive, ha vários meses, desde que foi ferido moralmente de morte por denuncias de gente da sua própria gangue. Entrementes, da' continuidade na mais antipopular política econômica que o Brasil ja conheceu, que apenas satisfaz os grandes bancos privados, enquanto desmonta o patrimônio publico, impunemente, começando pela Petrobras e agora ameaçando avançar sobre todas as empresas estatais.
Um presidente odiado pelo povo, desprezado pelos seus aliados, ridicularizado pela mídia nacional e estrangeira, agora se dá o direito, como mandatário que assumiu mediante o assalto de larápios ao poder, reunir-se com o mais perigoso presidente que o mundo tem hoje - Donald Trump - para um conluio contra o governo eleito pelo povo venezuelano.
No momento em que o continente vive problemas graves como o assedio do governo norteamericano contra o Mexico, Cuba e a própria Venezuela, no momento em que governos nas mãos dos banqueiros como os do Brasil e da Argentina, entre outros, fazem o pais retroceder no combate à miséria e à inclusão social, no momento em que governos como os do Peru e da Guatemala são duramente questionados na sua legitimidade e na sua capacidade de seguir governando, entre tantos outros problemas, Trump convoca a Temer para falar de ações violentas contra o governo da Venezuela, e Temer, como politico acostumado à subalternidade canina, aceita.
O Brasil não pode aceitar que um presidente ilegítimo se preste a esse papel. O Congresso tem que protestar, reafirmar o poder soberano do pais de decidir seus destinos por sua própria conta, afirmar para a America Latina para o mundo que Temer tampouco representa o Brasil nessa aventura. O Brasil afirmou sua tradição de boas relações com os países do continente, de respeito à soberania de cada pais, de solução pacifica dos conflitos entre os governos da região, não pode agora retroceder a servir de aliado carnal de aventuras imperialistas na America Latina.
Todas as distintas expressões da vontade popular, do Congresso aos meios de comunicação independentes, dos movimentos sociais aos partidos políticos, tem que dizer ao continente e ao mundo que Temer não representa o Brasil, não representa o povo brasileiro, ao reunir-se de forma espúria com Donald Trump com objetivos violentos contra um governo do continente. Que Temer representa apenas o governo mais impopular da nossa historia, o mais corrupto, o mais repudiado, que por isso não pode falar em nome do Brasil, nem do seu povo e das suas organizações populares e democráticas.
Repúdio ao Mr. Fora Temer, lá fora, quando chegar aos EUA e aqui dentro. Fora Temer do conluio violento contra a Venezuela, razão a mais para que os brasileiros e todos os que zelam pela democracia e pela paz mundial, gritem: Fora Temer!
*Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros.
Fonte: Brasil 247
Edição: Mário Pires Santana