segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Rio Parnaíba poderá ter complexo energético com oito usinas hidrelétricas

Se nos últimos anos o Piauí vem se destacando cada vez mais em energias eólica e solar e recebendo grandes investimentos nacionais e internacionais em enormes parques eólicos e usinas solares, na década passada a grande expectativa era a construção de usinas hidrelétricas no rio Parnaíba, coisa que até hoje não se concretizou, cerca de sete novas usinas devem ser construídas no Velho Monge e se juntar a hoje solitária Boa Esperança, construída na década de 60, em Guadalupe, para abastecer o sistema energético do Piauí e Maranhão.
A usina hidrelétrica de Boa Esperança, em Guadalupe, única hidrelétrica do estado foi inaugurada em 1970
As novas hidrelétricas devem ser construídas nos trechos do Alto e Médio curso do rio Parnaíba, com os lagos das barragens atingindo territórios de municípios desde Barreiras do Piauí, município onde nasce o Parnaíba, no Alto Parnaíba, até Palmeirais, no Médio Parnaíba e que está localizada a cerca de 126 km de Teresina.
As usinas:
Castelhano
A Usina Hidrelétrica de Castelhano será instalada no Médio Parnaíba, em Palmeirais(PI), e deve ser construída 7 km ao sul do município de Parnarama(MA). Sua construção poderá provocar profundas mudanças nos municípios piauienses de Palmeirais e Amarante. De acordo com o estudo de impacto ambiental, 556 famílias terão que ser removidas nos dois estados para possibilitar a formação do lago, que terá 77 km² e altura máxima de 87,80 metros. O povoado Riacho dos Negros, o mais populoso de Palmeirais, será inundado e a PI-130, que liga o município a Teresina, terá um novo traçado, aumentando o percurso em cerca de 40 km. Castelhano terá capacidade para gerar 64 MW de energia. A construção deve ser feita pela construtora Queiroz Galvão, que venceu a concorrência pública. Além da barragem será construída uma linha de transmissão de 13,8 km de extensão para ligar a usina ao sistema energético nacional.
Estreito
A Usina Hidrelétrica Estreito Parnaíba será construída no município de Amarante e sua capacidade de geração de energia será de 56 MW.
Cachoeira
A Usina Hidrelétrica Cachoeira será instalada no município de Floriano, localizado a cerca de 250 km de Teresina, e terá capacidade para geração de 63 MW.
Uruçuí
Será construída no município de Uruçuí e terá capacidade para gerar 134 MW. O lago formado pela Usina Hidrelétrica Uruçuí terá uma extensão de 257 quilômetros.
Ribeiro Gonçalves
A Usina Hidrelétrica de Ribeiro Gonçalves será construída no município de Ribeiro Gonçalves, localizado a mais de 560 quilômetros de Teresina, com capacidade de geração de 113 MW.
Canto do Rio
A Usina Hidrelétrica Canto do Rio foi proposta para o alto curso do rio Parnaíba. O reservatório possuirá 78 km de extensão e 79 km² de área, inundando áreas dos municípios de Santa Filomena, no Piauí, e Tasso Fragoso e Alto Parnaíba, no Maranhão. Deve ser construída a cerca de 23 km ao sul da cidade de Tasso Fragoso(MA). A usina terá 44 MW de potência instalada e turbinas operadas a fio d’água, o empreendimento prevê a geração de energia elétrica equivalente ao consumo de cerca de 440 mil pessoas.
Taquara
Será construída no rio Taquara, afluente do Parnaíba, em Santa Filomena, seu lago deve chegar até áreas do Parque Nacional das Nascentes no município de Barreiras. Além dessas sete no Piauí, também será construída uma oitava, a Usina Hidrelétrica Taboa(Sambaíba), que ficará no lado maranhense, no rio Balsas, em Benedito Leite(MA), cidade vizinha a Uruçuí. O rio Balsas é o principal afluente do Parnaíba do lado maranhense, ele deságua no Parnaíba próximo a zona urbana de Uruçuí. Elas se juntam a Boa Esperança, que teve sua construção iniciada em agosto de 1964 e começou a operar em abril de 1970, na cidade de Guadalupe, e tem capacidade para gerar 237 MW, sendo a primeira e maior de todas as hidrelétricas do Parnaíba.
Desvio das águas do rio Parnaíba para a construção da Usina Hidrelétrica Boa Esperança em 1965/Imagem: Acervo Chesf
Embora algumas delas já tenham ido a leilão em 2012 não houveram interessados na sua construção, por terem sido consideradas caras demais para pouca geração de energia. Em 2015, o engenheiro José Ailton, então Diretor de Operação da Chesf, disse ao Portal O Dia que a Chesf já estudou exaustivamente os projetos e os custos relacionados aos impactos ambientais e sociais e a necessidade de construção de eclusas nas usinas para possibilitar que embarcações subam ou desçam o rio, para a criação da hidrovia do Parnaíba, dificultam a viabilidade financeira das usinas atualmente.
O rio Parnaíba separando as cidades de Amarante(PI), ao fundo, e São Francisco(MA), abaixo na imagem
Há preocupação sobre o risco de as cidades serem afetadas pelas águas da barragem de Castelhano, principalmente Amarante, que tem um rico patrimônio histórico.
“A gente tem os estudos tanto de viabilidade técnica e econômico financeira, como os estudos de impacto ambiental. No entanto, essas usinas elas mostraram que o impacto ambiental acaba ficando muito caro porque tem que remover populações e hoje a sociedade não aceita mais projetos com remoção de populações sem que elas sejam devidamente assistidas. Além disso, não tem sentido hoje fazer usinas sem eclusas”, disse José Ailton. O projeto das hidrelétricas do Parnaíba já vem de muito tempo, ainda em 2003, por exemplo, o então Secretário de Planejamento e hoje de Governo, Merlong Solano, disse ao jornal Hora do Povo, após o governo anunciar o investimento de cerca de R$ 4,14 bilhões de reais na construção de 8 hidrelétricas, que apesar dos estudos técnicos mostrarem a viabilidade do projeto, a construção das 8 usinas só seria feita no governo Lula porque o governo FHC, ao invés de propiciar uma maior participação do Nordeste no desenvolvimento econômico da nação, preferiu sucatear o setor público para criar um ambiente mais favorável à privatização do setor elétrico.
“Novos projetos nos setores agropecuários e industriais estão sendo feitos, porém de forma mais lenta da que poderia estar ocorrendo. Isso graças a escassez energética agravada pelo antigo governo, que não se preocupava em nada mais do que fazer o ajuste fiscal imposto pelo FMI. Fernando Henrique quis fechar os olhos para o futuro do nosso país, preferindo nos cegar para a demanda energética necessária ao desenvolvimento do Brasil”, disse Merlong, em 2003, ao jornal de orientação esquerdista Hora do Povo.
Enquanto as hidrelétricas do Parnaíba não saem, o Piauí vai sendo invadido por investimentos em outras áreas e se tornando um dos maiores produtores de energias eólica e solar do Brasil.
Fonte: Piauí Atual
Edição: Mário Pires Santana