quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O Dia do Piauí

Por *Vicente de Paula Araújo Silva "Potência"
 
Hoje, 19 de outubro de 1822, o Piaui comemora 195 anos de um dia majestoso em que Simplício Dias da Silva a frente da tropa de Milícia Portuguesa e moradores da então Villa de São João da Parnahiba, anunciou apoio a Independência do brasil do jugo português, cujos acontecimentos posteriores estão no escrito abaixo , publicado no Jornal Inovação em novembro de 1979. 
A RESPEITO DA INDEPENDÊNCIA NO PIAUÍ
Série: Missivos Para Simplício Dias 
DePaula 
Caro Fidalgo,
Vê se dás umas voltinhas aí pelas paragens onde habitas e reúnes a patota que contigo proclamou a Independência do Piauí, a fim de que os mesmos, sob tua influência e estratégia do Dr. João Cândido, promovam aí do além, uma imediata ação de lavagem cerebral nas cucas dos historiadores piauienses que estão assumindo a campanha de menoscabo do movimento separatista de 19 de outubro de 1822, lançado, aqui, nesta Parnaibinha de Nossa Senhora da Graça.  A verdade é que o pioneirismo dos atos e fatos tomados pela gente da Princesa do Igaraçu tem sido o maquiavélico prato dos agentes do despeito, que vez por outra, organizam-se em intentonas contra as nossas  criatividades presentes e passadas, tentando assim, castrar as futuras. Ora, Fidalgo, essa plêiade de intelectuais que quer apagar o escrito em 19 de outubro de 1822, sabe muito bem, em sã consciência, que aderir não é principiar. E, é exatamente dentro deste contexto, que, está inserido o 24 de janeiro de 1823 – data da adesão – quando o então governo civil da Província do Piauí, já pressionado pela arregimentação de tropas das lideranças parnaibanas, cearenses e baianas, não resistiu a sublevação de Oeiras, levada a cabo pelo grupo adesista comandado pelo Brigadeiro Manoel de Souza Martins.
É estranho, Coronel Simplício, o porque deste atentado ao brio e tradição do povo piauiense, quando o próprio grupo contestador é sabedor dos fatos que geraram aqui na Parná, o brado de Independência do Piauí, aceito posteriormente por toda a Província.
Assim sendo, todos sabemos que a promulgação dos decretos nos 124 e 125 da Corte Portuguesa, datados de 29 de setembro de 1821, através dos quais, o Brasil perdia a condição do Reino-Unido, provocaram o elenco de ocorrências que culminaram com os acontecimentos de 7 de setembro de 1822 em São Paulo e 19 de outubro de 1822 em Parnaíba.
Muitas são as razões que me levam a acreditar que por trás dessa intenção dos nossos historiadores , em questão, está oculta a grande cartada para provocar a polêmica em torno do assunto, promovendo com isto o estudo da História do Piauí, até hoje pouco conhecida pelo seu povo. Porém, a mais forte de todas, é a sequencia de fatos que se sucederam ao longo do movimento, dentre os quais, para confirmação do 19 de outubro de 1822, como data magna da Independência do Piauí, destacam-se:
1. A articulação política na Região Sul que provocou o Dia do Fico;
2. A incrementação da campanha de emancipação política em nível nacional que teve como desfecho o manifesto de D. Pedro em 1o de agosto de 1822, quando anunciou que mandara convocar a Assembleia do Brasil-Reino, com o intuito de solidificar a Independência Política da Nação, sem romper os vínculos de fraternidade portuguesa;
3. A chegada do Sargento-Mor Fidié a Oeiras, o qual, assumiu o Governo das Armas em 9 de setembro de 1822, com a finalidade de implantar a política das Cortes Portuguesas – conseqüência dos decretos nos 124 e 125, transformando novamente o Brasil em Colônia;
4. A visualização pelos conspiradores parnaibanos dos objetivos de Fidié, com a remessa de armas para Oeiras;
5. O ofício do Dr. João Cândido, de 30 de setembro de 1822, informando à Junta de Governo do Piauí que a Vila de Granja-CE (próxima a Parnaíba), já proclamara D. Pedro “PROTETOR E DEFENSOR DO BRASIL, e demonstrava sua posição em relação ao movimento separatista, com os dizeres: “A melhor, a maior, a mais rica, a mais populosa parte do Brasil tem-se declarado a favor da causa da Independência; como persuadir-nos que o resto não siga a mesma causa?”;
6. A Junta de Governo do Piauí, em 6 de novembro de 1822, toma conhecimento do evento de Parnaíba, e, em 13 do mesmo mês, o Governador das Armas, Fidié, já estava a caminho do foco libertário com a tropa e armas que pode arregimentar;
7. A chegada do vaso de guerra infanto D. Miguel – enviado pelo Governo do Maranhão e a marcha de Fidié com destino a Parnaíba, provocaram o deslocamento estratégico dos líderes parnaibanos ao Ceará, com a finalidade de recrutarem combatentes, e, de volta, sitiarem o inimigo na área em que o povo já despertava para a importância do movimento;
8. O florescimento de Oeiras da ideia de adesão à Independência, inclusive, com atos de sabotagem em dezembro de 1822;
9. A invasão de Piracuruca , em 22 de janeiro de 1823, por Leonardo Castelo Branco – componente do movimento de Parnaíba – que a frente de combatentes recrutados no Ceará, combateu a guarnição portuguesa na Lagoa do Jacaré (Piracuruca) ;
10. O conhecimento da Junta do Governo em janeiro de 1823 de que Crateús, pertencente ao Piauí naquela época, já lutava a favor da emancipação;
11. A tomada do Governo do Piauí, em 24 de janeiro de 1823, por elementos adesistas, os quais, comunicaram as câmaras municipais da província que elas deveriam reconhecer em D. Pedro “O IMPERADOR CONSTITUCIONAL E PERPÉTUO DEFENSOR DO BRASIL”;
12. A correspondência da Junta Interventora enviada ao Dr. João Cândido, datada de 26 de janeiro de 1823, na qual, ele era convidado a deslocar-se para Oeiras a fim de dar orientações no destino político da Província;
13. A batalha do Genipapo em Campo Maior, onde em 13 de março de 1823, as tropas portuguesas comandadas pelo Major João José da Cunha Xavier, ganharam mas não levaram, pois tiveram que sair da Província do Piaui, indo acantonar-se em Caxias (MA) ;
14. A fuga de Fidié para o Maranhão, onde, em 1° de agosto de 1823, na então Villa de Caxias, ocorreu a rendição oficial das tropas sob o comando do Major João José da Cunha Fidié, consolidando-se Independência Política do Brasil no Piauí e Maranhão.
E assim, Simplição, para ratificar o meu ponto de vista e terminar esta missiva, tu deves te lembrar muito bem, que em retribuição ao apoio que deste à causa da Independência do Brasil, D. Pedro te nomeou Presidente da Província, cargo que deixaste de assumir por livre e espontânea vontade.
Cordialmente,
DEPAULA
*Inovação, novembro 1979 – 24ª edição
Edição; Mário Pires Santana