domingo, 5 de novembro de 2017

No novo colonialismo, com o Estado e a nação destruídos, o Brasil viverá segundo período colonial

Por *Thomas de Toledo

O Brasil pode estar caminhando para uma fase que no futuro chamaremos de 2º Período Colonial", no qual a soberania popular foi substituída pela partilha do país entre as grandes corporações estrangeiras, a escravidão foi reimplantada de forma mais sofisticada e as igrejas fundamentalistas passaram a doutrinar ideologicamente a massa emburrecida pelo jogo de aparências das redes sociais.
Da mesma forma que o Chile de Pinochet foi o laboratório do neoliberalismo via "doutrina de choque", o Brasil de Temer é um tubo de ensaio para um novo colonialismo com a destruição dos Estados e nações, tendo o consentimento das oligarquias locais que rejeitaram um projeto de país e que aceitaram serem sócias menores do grande capital apátrida. Enquanto isso, grupos privados bilionários financiam "movimentos" de direita para convencerem pessoas desinformadas a acreditarem que a agenda dos bilionários de privatização e desmanche do Estado é boa para a população. Agora, até grupos separatistas aparecem como se surgissem por geração espontânea, sem sequer ser investigado quem os financia. O Brasil
sangra enquanto sua riqueza é roubada e seu povo explorado. Proliferam oportunistas de toda espécie e a resistência está no Facebook, preocupada em saber quantas curtidas terá, sem se ligar que esta rede social é parte central no processo de controle social e ideológico das massas.
Se tenho esperanças? Sim, por que enxergo as coisas numa perspectiva histórica. Mas já estou preparado para viver uma idade das trevas e a dar a contribuição que for possível para revertê-la no longo prazo.
*Nota sobre o autor: Professor de Relações Internacionais da UNIP, historiador pela USP, mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp e especialista em BRICS.
Fonte: Coluna Oscar de Barros/180graus.com
Edição: Mário Pires Santana