quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Norte do Piauí – edição 25/10/2017 TRABALHO ESCRAVO

O Piauí desponta, na região nordeste, como Estado de elevado índice de trabalho escravo de crianças, adolescentes e adultos. Para o IBGE, a quantidade de piauienses vítimas dessa impiedosa brutalidade humana alcança número assustador se comparado a outros Estados do nordeste e do Brasil como um todo. Organismos de fiscalização nacional e internacional vão deflagrar campanha de combate a esta estupidez que afronta os mais comezinhos direitos humanos. (RB) 
REDUÇÃO DE GASTOS
O Prefeito Mão Santa, atento à crise econômica – financeira que, a cada dia, tem tomado conta do Brasil, decidiu reduzir gastos com a administração pública de Parnaíba. Para o mandatário executivo, daqui para frente, haverá “tolerância zero” em relação a despesas de setores não tão indispensáveis ao progresso e desenvolvimento da cidade. O compromisso é arrecadar dinheiro para honrar, em dias, o pagamento de servidores tanto do Executivo quanto do Legislativo e assegurar o funcionamento equilibrado da máquina administrativa. (RB) 
ARRECADAÇÃO DE DONATIVOS
Entidades beneméritas de Parnaíba, incluindo-se igrejas e templos católicos e protestantes se organizam para arrecadar donativos visando a festa natalina de dezembro próximo. 
O objetivo maior é adquirir brinquedos e confecções que, de algum modo
possam proporcionar alegria e felicidade Às crianças de pais que sobrevivem na extremidade da pobreza, tão facilmente encontradas nos bairros periféricos de Parnaíba. Neste sentido, não basta apenas esperar o gesto de solidariedade do poder público, mas de chamar a sociedade para que se erga, nesta lição de fraternidade cristã. (RB) 
DELEGACIAS SUCATEADAS
A grande maioria das delegacias de polícia, subordinadas à Secretaria de Segurança Pública do Piauí, está sucateada. O programa de televisão “Fantástico”, Rede Globo, no último domingo mostrou cenas vergonhosas das condições físicas e humanitárias em que se encontram esses estabelecimentos.
No mesmo domingo (22/10) o teto do prédio da Central da cidade de Altos, 43km da Capital, desabou causando vários prejuízos materiais. Felizmente, não houve vítima humana, mas esse acidente reflete claramente o estado de total abandono em que se encontrao sistema judicial do Brasil. 
Às abordagens da imprensa as autoridades respondem com tamanha frieza na sempre alegada informação de que o Governo do Piauí está “...adotando todas as providências necessárias para solucionar o problema que é transitório...”. O deboche é fruto do cinismo desse que governo que aí está – desabafam as vozes dos criteriosos observadores. (RB) 
ESTRITAMENTE PESSOAL
O clima é de decepção generalizada da população brasileira em relação aos parlamentares do Congresso Nacional que abandonaram projetos de relevante importância para dedicarem-se às questões de interesse estritamente pessoal – eleitoral. 
Faltando pouco mais de 60 dias para encerrar 2017, Câmara e Senado Federal vão deixar para trás propostas, nitidamente válidas, para melhorar as condições de educação e saúde, dentre tantas outras, reclamadas, ao longo de décadas, pela população brasileira. (RB) 
DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL
O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, já foi condenado em dois processos que, na soma das penas, colocam-no em reclusão por mais de 23 anos. 
Esta semana, ao enfrentar o juiz federal Marcelo Breta, Sérgio Cabral respondeu ao que considerado rispidamente as perguntas do Magistrado que, não gostando da conduta do depoente, decidiu transferi-lo para estabelecimento de segurança máxima e distante de qualquer regalia. Pata advogados de defesa de Cabral o juiz Breta demonstrou falta de serenidade e de equilíbrio emocional para continuar no comando do processo judicial. (RB)
DR. BENJAMIM BACELLAR É CONDECORADO COMENDADOR DO PIAUÍ.
O médico, dr. BENJAMIM DE BRITO BACELLAR foi homenageado pelo Governo do Piauí, dia 18/10, com a Medalha do Mérito Renascença, a mais elevada comenda do Estado, no grau de COMENDADOR. A cerimônia, no auditório do Porto das Barcas, presidida pelo Governador Wellington Dias, comemorou a passagem do Dia do Piauí, transcorrido na quinta-feira, 19. O dr. BENJAMIM BACELLAR é parnaibano, renomado médico, no ramo da psiquiatria, residente em Fortaleza (CE), ocupando o cargo de vice-presidente da FUNDAÇÃO DR. RAUL FURTADO BACELLAR, entidade sem fins lucrativos que tem desenvolvido, ao longo de seus 23 anos de existência, relevantes serviços humanitários nas áreas de saúde, educação, cultura, de assistência social e de amparo às crianças, deficientes de todos os gêneros, adolescentes e idosos, estes, em seu maior contingente (mais de 237). 
RELEMBRANCAS & NOVIDADES
Chico Devasso
Por José Carlos Ribeiro
(in memoriam)
Lembra-me o Batista, aposentado do Banco do Brasil, que o primeiro homossexual assumido, declarado e visibilizado, de Parnaíba, foi o Chico Devasso. Não sei o seu nome verdadeiro, pois se autodenominava Francisca ou Rosinha. Mas o populacho o apelidava de Chico Devasso. Chico era uma pessoa afável e não gostava de confusão. Ser, porém, homossexual assumido, naqueles tempos, era preciso mesmo ter coragem. Era uma acinte à sociedade. Um escândalo! Chico, por isso, não obstante sua forte personalidade, compreendia a situação e evitava exposições abertas, inteligente que era. Todavia, o instinto e a tendência compeliam-no a uma exibição mais ou menos acanhada. Aparecia, com certa constância, ali naquela parte da Praça da Graça, que fica na frente da Igreja do Rosário, Lojas Rosemary e Banco do Brasil. Defronte do Banco do Brasil, o Bar sempre cheio de homens, ao redor do qual se juntavam moleques e toda sorte de gente. Chico vestia-se, extravagantemente, com uma calca arroxeada, ou cor-de-rosa, com a boca das pernas bem soltas - boca-de-sino. Como cinto, usava uma faixa vermelha, que amarrava de lado. Não usava camisa, mais uma blusinha de cor espalhafatosa, sempre com botões grandes e também coloridos. Na cabeça, uma boina vermelha, com um lenço amarrado à moda pirata. Nas faces, um pouco de rouge e um destaque tênue de batom nos lábios. Quando se aproximava da praça, os moleques e os beberrões que se encontravam no Bar, defronte o Banco do Brasil, alvoroçavam-se e davam inicio a um festival de pilherias, de piadas e gracejos desmoralizantes. Um ou outro moleque mais audacioso corria até onde estava Chico Devasso e tentava importuná-lo, puxando as vestimentas. Ele repelia à altura e prometia bater nos moleques o que os afastava. Mas não os impedia de continuar com os chistes. Chico sentava-se num dos banquinhos da praça, ao lado de dois vagabundos que por ali viviam. Nesses encontrava compreensão. Hélio, de nossa turma, sempre preocupado com os problemas alheios, um dia acercou-se de Chico Devasso, indagando-o sobre sua situação. Disse-me que ele não ligava para os pruridos moralistas do "establishment" parnaibano. Juntamo-nos ao Helio, para ouvir o Chico Devasso. Era, como disse, afável e inteligente. Nada agressivo, procurava comunicar-se com quem lhe dava atenção. Falava com uma entonação de voz feminina e não continha, mesmo nesses momentos, os trejeitos exagerados. Na verdade, o Chico mantinha-se na dele, como se diz hoje em dia. Chico Devasso era forte e até diria musculoso. Pareceu-nos bastante decidido. Disse-nos morar numa casinha, deixada pelos seus pais, no bairro da Guarita, hoje S.Francisco. Informou-nos que a vizinhança não o incomodava e muitos o ajudavam, quando necessitava. A solidariedade das classes do andar de baixo. Num Carnaval, Chico Devasso, aproveitando a liberdade - liberalidade - do evento, estimulado por umas boas doses de Quinado, resolveu sair de casa e brincar, vestido com roupas de mulher. Quando chegou a Praça da Graça, apesar de saber que estava exagerando, não esperou a reação da molecada e dos bêbados. Formou-se, atrás do Chico, um verdadeiro séquito, semelhante aqueles que seguiam os palhaços de circo. Ele nem ligou e ate dançava e se requebrava ao som das músicas do Bloco Piratas do Ritmo, atrás do qual se postava, graças à complacência do Anastácio - barbeiro. Espaçadamente, retirava uma garrafinha de Quinado da bolsa espalhafatosa e tomava uma dose, para ganhar pressão. A pressão da molecada, atrás do Chico, aumentava e ele, já alto, tendo reagido com alguma violência, foi aconselhado, por um soldado, a deixar a praça. Chico saiu de fininho e dirigiu-se para Coroa, rumo do Sonho Azul. Ali rolava uma festa, com música ao vivo, muito animada. Chico incorporou-se à festa, puxando cordão com algumas meninas que conhecia e das quais se dizia amigo. Lá pras tantas, Chico desentendeu-se com uma das "primas" e foram às vias de fato. O soldado que lá se encontrava para manter a ordem, apartou a briga e, à força, tentou levar o Chico Devasso para fora do recinto do Sonho Azul. Chico não aceitou e revoltou-se. Reagiu à altura, e levou a melhor, dando socos e safanões no soldado. O policial levou a pior. Revoltado, Chico Devasso batia no soldado, mas gritava com sua entonação feminina, chorando: "Não queria estar te batendo assim, Antonino (o nome do soldado), preferiria estar te abraçando carinhosamente!" Dizem que o Chico Devasso acabou por dominar o Antonino e ate dar-lhe um beijo nas faces; não sei, porém, se isso é verdadeiro. 
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Fonte: Fundação Dr. Raul Furtado Bacellar
Edição: Mário Pires Santana