quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Estão matando gente que nem se mata cachorro no Oriente Médio.

Por *Pádua Marques

Dia desses, há pouco mais de um mês, um rapaz de seus dezessete anos, ladrão de pequenos objetos e guardador de carros nas horas vagas, quase, por uma peinha de nada não acaba sendo linchado no centro de Parnaíba por uma multidão de gente enfezada, feito assim do tipo, comerciantes, clientes, desocupados e a sempre pronta milícia dos mototaxistas das esquinas e da praça da Graça. Pelo que se sabe o jovem é morador de rua, natural de Fortaleza e já tendo na ficha técnica e no curriculum vitae uma acusação de ter matado uma pessoa. Segundo testemunhas, acabara de roubar uma caixa de som numa loja. Está naquele chamado, curso de graduação, depois vem a pós e, coisa rápida, assim num esfregar de olho, algumas passagens pela Central de Flagrantes deve tentar um voo mais alto, um mestrado no mundo do crime. O certo é que o rapaz de iniciais J.A.C apanhou mais que galinha pra largar o choco. Foi taca pra todo lado e em tudo que era parte do corpo. Cabeça, tronco, membros, os inferiores e os superiores, entre as pernas, no solado dos pés.
Pelo que fiquei sabendo uma milícia de mototaxistas foi a que bateu mais e só não matou porque a uma altura daquelas alguém havia chamado a polícia. Essa, chegando tratou apenas de apreender o rapaz. Mas pelo que se soube deixou sem qualquer punição as pessoas que por pouco não cometeram um homicídio. Sem querer ser advogado de defesa de um marginal, fico aqui pensando a quantas anda a falta de segurança em todo o Brasil e
na Parnaíba a ponto de mais de trinta pessoas pegarem um aprendiz de ladrão, desarmado, magro, faminto, usuário de drogas e, baterem na base do chute, golpes de pau e murros. Mais um pouco e era capaz de terem capado ele. Baterem nele mais que cozinheira bate em bife. E este não foi o primeiro e certamente não será o último caso de tentativa de linchamento de pessoas cometendo crimes aqui em Parnaíba. E a gente que era acostumado a ver apenas nos filmes policiais ou nos noticiários da televisão, agora nem precisa mais esperar por Hollywood. Todo dia os portais e a televisão mostram. Desde as seis da manhã até às seis da tarde na televisão.
A violência está solta. Roubo e furto de celular a toda e qualquer hora do dia e da noite. Aliás, ladrão, de terceira linha não e nem procura mais dinheiro entre as vítimas. Procura o celular. Virou a primeira moeda, aquela de maior poder de troca no mundo da criminalidade. E por causa de celular estão matando gente aqui que nem cachorro nesses países muçulmanos. Deus mesmo é que há de livrar os cachorros daqui caírem na besteira de pender praquele lado. Diabo é quem quer ser cachorro naquele fim de mundo. Por uma besteira de nada a pessoa pode perder a vida. Ninguém tem mais segurança nem sentado na calçada pra falar mal de quem passa. Ninguém se admira mais de ver gente morta, assassinada, ensanguentada, desfigurada. E a gente da minha geração achando que a Segunda Guerra havia terminado...
*Jornalista, escritor, acadêmico da APAL
Edição: Mário Pires Santana 

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