quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Gilmar Mendes coloca o Supremo Tribunal no “cadafalso da moral”

Por Miguel Dias Pinheiro, advogado

O jurista, professor, ex-promotor de Justiça e ex-magistrado, Luiz Flávio Gomes, considera que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, brinca com fogo. “Gilmar Mendes desconsidera que são as instituições as que nos ajudam a conservar a decência. Que necessitam da nossa ajuda, porque não se protegem por si mesmas”. “(...) Gilmar Mendes não está percebendo a gravidade das suas “trapaças políticas". Está brincando com fogo, julgando-se superior a tudo e a todos”. E conclui: o ministro está “denegrindo a magistratura”.
Para o jurista, Mendes é uma espécie de “porta-voz do sistema corrupto do Brasil”. Um magistrado que “blinda os amigos corruptos”.
Diante de explícitas defesas intransigentes de corruptos, o ministro tem colocado o Supremo Tribunal Federal no “cadafalso da moral”, cuja Corte assiste inerte a ação de um julgador plutocrático na proteção de bandidos, um magistrado que não tem qualquer cerimônia em aparecer ao lado de corruptos e malfeitores. E que não se cansa e nem se acanha para defender publicamente a nociva “cleptocracia” brasileira, um Estado governado por ladrões, por dirigentes e políticos dedicados no enriquecimento ilícito e nas diversas formas de corrupção. Inquestionavelmente, estamos assistindo a decepcionante contaminação da reputação do Supremo Tribunal Federal pela péssima imagem de Gilmar Mendes.
Sem dúvida, o Ano Judiciário de 2018 entra com um enorme “abacaxi” para a Corte descascar. Um “abacaxi” chamado Gilmar que veste uma toga que “não trabalha com a verdade”; que “faz comícios nos julgamentos”; que “fica destilando ódio”; que “usa de leniência em relação à criminalidade do colarinho branco”; e que é “um juiz que decide por compadrio, conforme o réu”. Pelo menos foi com tais expressões e adjetivos que o ministro Luis Roberto Barroso classificou a nefasta postura de Gilmar Mendes perante a nossa maior Corte de Justiça.
Historicamente, é a maior das vergonhas dos juízes do Brasil! Um ministro que transformou o Supremo em um “vulcão em chamas”. Em um antro de intriga e deselegância. E que age como na “Casa da Mãe Joana”, onde para ele mandar prender e soltar é sinônimo de deboche. Um “horror jurídico” atrás do outro para uma Corte que não se entende no combate a criminosos.
Um ministro que passa a impressão de ser o “dono da Casa”, o cara, o chefão, o manda-chuva,...! De que os que lhe seguem nas decisões devem-lhe favor, obediência cega e canina. Manda prender e manda soltar com a mesma facilidade que “lava as mãos” para os crimes praticados pelos amigos corruptos. E condena com desmedida coragem os inimigos e indesejáveis. Senta-se à mesa com os ladrões da mesma forma que se acomoda com os colegas nas poltronas da Corte. Um vexame atrás do outro. E que a Corte terá agora a missão de enfrentar um julgador que se considera o “macho alfa” aos “gangsters”.
Em recente entrevista, um dos mais respeitados juristas do País, professor emérito da PUC-SP, Modesto Carvalhosa, a maior referência nacional em tema anticorrupção, reconhecido internacionalmente, revelando a verdadeira face de Gilmar Mendes, apontou o quanto o ministro tem sido nocivo à sociedade: “Gilmar Mendes ameaça instituições e quer acabar com a Lava Jato. Não cessam nunca os danos jurídicos e morais que Gilmar tem acarretado diariamente à nação brasileira. Afrontando todas as regras de decoro. (...) Este é o estado vergonhoso a que nos levou o nosso grande Gilmar, o inimigo público número 1 do Brasil. (...) Gostaria de saber se não é possível tirar o Gilmar Mendes de lá. Todo brasileiro sabe que ele não vale nada”.
Finalmente, “se o STF não quer continuar sendo um involuntário, mas conveniente “aliado” da corrupção política/econômica, algo de urgente deve ser feito”, aconselha o jurista Luiz Flávio Gomes. Porque, digo eu, sinceramente, no “cadafalso da moral”, quanto mais se critica o Supremo Tribunal pelo comportamento dúbio de um de seus ministros na conivência com o crime, mais ele fica desmoralizado, com o prestígio na lata do lixo.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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