sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Lula, a democracia e o Brasil: destinos indissoluvelmente ligados

A pressa no julgamento do Lula em segunda instância provocou a esperada esperança na direita – Globo, Falha, Gilmar, FHC – e em setores que, de forma oportunista, acreditam que a condenação deixaria campo livre para eles.
Por *Emir Sader
Quem não compreender que o destino do Lula está indissoluvelmente vinculado ao destino da democracia e do próprio país, não entende nada do que ocorre hoje no Brasil. Lula é a ameaça, para a direita, da retomada da democracia, da reconquista de um projeto para o país, e é a esperança, para o povo dessa mesma retomada.
Lula representa o projeto mais virtuoso que o Brasil conheceu, combinando desenvolvimento econômico, expansão do mercado interno e distribuição de renda. Sua popularidade é o único aríete com que conta hoje a esquerda para romper o isolamento a que foi submetida. O destino da democracia no Brasil depende do destino do Lula: de ele ser candidato, vencer e voltar a ser presidente do país. É somente com essa força que será possível conter e reverter a brutal ofensiva da direita, que desmonta Todos os avanços logrados nos governos do PT.
A direita sabe disso e por isso concentra toda sua força em atacar e tentar tirar o Lula da campanha. É um dos itens fundamentais que ainda une a direita: o pacote conservador e os ataques a Lula. Desse enfrentamento depende o futuro, democrático ou não, do Brasil. E depende o próprio Brasil: ou seguirá sendo desmontado como país, como nação, como sociedade, ou retomará o caminho da reunificação nacional, da reconstrução das estruturas de convivência política de todas as forças, no marco das disputas políticas, dos debates públicos, das grandes mobilizações populares, que caracterizam a democracia.
O nome do Lula representa assim, hoje, a via de restauração da democracia, de resgate do Brasil como país. O caminho a esperança.
Ao se dar conta que havia perdido o timing para destruir o Lula, e como resposta ao sucesso de mais uma caravana, a direita reagiu apressando o julgamento em segunda instância. Se dá que quanto mais passe o tempo, mais Lula se fortalece, mas ela fica descolocada para condená-lo, mais se amplia o clima de resignação e aceitação de que Lula será candidato.
Mas, uma vez mais, a direita pode estar dando um mal passo. Porque produz mais um momento de grandes mobilizações na defesa do Lula. Porque acelera o movimento de simpatias com o Lula. Porque tenta o tudo ou nada, em condições de que a peleja jurídica ainda tem muitos outros capítulos pela frente. Esgotam esse primeiro processo em condições que não lhe são favoráveis.
A eventual confirmação da condenação do Lula vai acelerar o processo de projetá-lo definitivamente no centro das atenções e da vida política brasileira. Todos se manifestam e se manifestarão sobre o Lula. Deve haver um janeiro de intensos atos e mobilizações, que desembocarão no dia 24 em Porto Alegre, que voltará a ser o centro das grandes mobilizações nacionais e internacionais, esta vez a favor do Lula.
*Colunista do 247 Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros.
Fonte: Brasil 247
Edição: Mário Pires Santana

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