domingo, 11 de fevereiro de 2018

Entre os Mestres, os Ídolos e os Reis

Por *Claucio Ciarlini
Existe um clássico dos quadrinhos americanos que há gerações diverte e emociona uma porção de adolescentes que, depois, se tornam adultos, mas nunca esquecem dele. Trata-se de Conan, o Bárbaro, personagem criado pelo escritor texano Robert E. Howard em 1932, uma obra literária que, com o tempo, foi adaptada para os quadrinhos; narra a história de um aventureiro, da era antiga, hábil espadachim, de disposição violenta e contrária às hipocrisias e fraquezas da civilização de sua época, e que se defrontava com ameaças sobrenaturais sobre as quais sempre prevalecia, fossem elas magos, demônios ou outras criaturas de eras perdidas no tempo. Um guerreiro de destemida força e enorme coração. Nos últimos anos fui apresentado por um amigo e também colecionador, Isaac dos Santos, a literatura deste bárbaro, que antes o conhecia apenas por alguns filmes, lançados nos nostálgicos anos 80. E é justamente depois de ter conhecido a lenda de Conan, que pude entender mais a fundo a personalidade de um de seus maiores fãs, o desenhista, músico e historiador Mauro Júnior Rodrigues Sousa,(Foto) o Mauro Jr., como os amigos costumam lhe chamar.
Nascido em Floriano (PI), na data de 15 de outubro de 1976, foi trazido pelos
pais, para a cidade de Parnaíba quando tinha apenas um ano de idade, cursou o primário na Unidade Escolar Lauro Correia, e desde criança já esboçava seus talentos artísticos. Aos sete anos começou a desenhar inspirado nos arquétipos de sua adolescência, o já citado Conan e He-man, um personagem de desenho animado que lutava em prol da justiça. Aos nove anos passou a ler clássicos da literatura mundial, através de uma coleção intitulada Reino Colorido da Criança, uma série de livros, que lhe transmitiram muitas informações, principalmente sobre cultura e história medieval. No início da adolescência, aprendeu a tocar bateria, inspirado nos seus ídolos do rock, como, por exemplo, as bandas Black Sabbath, Rush e Iron Maiden. Como também influenciado pelo irmão mais velho José Carlos Rodrigues Sousa, um excelente guitarrista, no qual Mauro se espelhava e pessoa de fundamental importância tanto em sua vida como no que diz respeito ao início de sua carreira musical.
O garoto, que já demonstrava bastante talento na arte do desenho, passava agora também a despontar na música. 
Em 1988, com 11 anos, ingressou como desenhista na ASARTEP (Associação dos Artistas e Técnicos de Parnaíba), entidade que funcionou durante cerca de dois anos e que tinha como finalidade a integração dos jovens de talento da época, ajudando-os no amadurecimento de seus respectivos dons. No início da década de 90, Mauro Jr. se une com alguns amigos e juntos fundam a banda de rock n´ roll “Artéria”, que passa a fazer shows no underground de Parnaíba, porém, depois de um tempo, ele deixa a banda e logo ingressa em outra, intitulada “Rabiscos Urbanos”, na qual tinha entre seus integrantes o cantor de renome nacional Teófilo Lima. A banda fez bastante sucesso e ganhou diversos prêmios, mas em 1993 Mauro parte em busca de novos ritmos. Chegou ainda a se integrar em outras bandas, e ao fim do ensino médio já havia evoluído bastante sua música e desenho.
Um novo milênio surgiu e trouxe um Mauro Jr. mais maduro, já integrante da Banda Municipal de Parnaíba desde 1999. Entra para o curso de pedagogia da UESPI em 2001, e um ano depois une-se em matrimônio com a professora Silvia Milane, de onde geraram até este momento, dois frutos, Letícia e Guilherme. Em 2007, já formado em Pedagogia, ingressa no curso de História – UESPI, e no mesmo ano passa a integrar o grupo fiel de colaboradores do “O Piagüi”, onde com seus desenhos, sejam eles na forma de caricatura, linha clara ou reprodução, trouxe mais riqueza e brilhantismo a este meio de comunicação. E não satisfeito, Mauro Jr. passa a colaborar também com artigos ligados à história, expondo e analisando os resultados de suas pesquisas acadêmicas. Obcecado por quadrinhos de horror dos anos 60, 70 e 80, onde começou a ler influenciado por um amigo Lourival Júnior, o Lourival “Krueger”, (referência ao personagem de terror da série de filmes A Hora do Pesadelo), Mauro Jr. é leitor e colecionador de quadrinhos, hobby que coincide com o meu, já não bastasse a devoção que compartilhamos pelo estudo da História.
Desde 1990 (ainda com nove anos de idade), eu havia começado a colecionar heróis em quadrinhos, e admito que sou um apaixonado por esse mundo de emoção, suspense e aventura daqueles que nunca desistem e sempre lutam (cada um a seu modo) em prol da humanidade. Ter lido essas histórias que iam de Superman a Homem Aranha, passando por Hulk, Homem de Ferro, Batman, me ensinou muito sobre como sobreviver às adversidades, e como sempre fazer o possível para tentar ajudar o próximo. Lições que foram passadas também para esse incrível ser humano conhecido como Mauro Jr., que assim como seu ídolo nos quadrinhos, lutou desde cedo, crescendo e amadurecendo em múltiplos dons. E digo, desde já, que assim como Conan, ao fim de sua jornada tornou-se rei, por mérito e bravura, os mesmos dons levarão Mauro Jr. ao lugar que lhe é de direito, ou seja, entre os mestres, os ídolos e os reis.
Claucio Ciarlini (2008)
*Texto de minha série “Parnaíba, por quem também faz Parnaíba”. Originalmente publicado no mês de setembro de 2008, edição 11 de O Piaguí.
Fonte: O Piaguí Virtual
Edição: Mário Pires Santana

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