quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Sobre sentimentos, sonhos e paixões, por Claucio Ciarlini

Havia terminado de escrever uma poesia sobre o amor. Ao meu lado, na carteira da esquerda, encontrava-se um amigo, que também concluía seu poema. Ele me mostrou o que escreveu, e fiz o mesmo. Já possuíamos o hábito de comentar o trabalho um do outro, era o segundo ano do Ensino Médio e como que “fugindo” de uma aula tediosa de química, nos transportávamos para o mundo das sensações e das subjetividades que tanto a escrita proporcionava.
A poesia que ele mostrou naquele dia 17 de abril de 1997, intitulada “Brasil”, acabaria sendo publicada duas semanas depois no jornal “ O Dia”, e o amigo, Frederico Osanan Amorim Lima (Foto), ainda percorreria uma difícil estrada no decorrer da vida até que enfim alcançasse o respeito e a consideração merecidos.
Desde a adolescência, já trabalhava auxiliando na loja dos pais, Osanam Elias Lima e Haydeé Rego Amorim Lima. Nasceu em 25 de fevereiro de 1981, na cidade de Oeiras, mas desde a infância reside em Parnaíba. Estudamos na mesma sala desde pequenos, no Colégio Nossa Senhora das Graças, ao fim da oitava série do Ensino Fundamental fomos para o Colégio Delta, nesse período começamos a escrever poesias. Jovem bastante sensível, fã de Renato Russo e sua Legião Urbana, Frederico iniciou no caminho das letras com 15 anos, ainda com a mesma idade entrou para o teatro, atuando em várias peças, como
também escrevendo, dirigindo e produzindo roteiros de boa parte delas. Sua sensibilidade era tamanha que às vezes chegava a ser incompreendido por quem optava apenas pelo uso da simples e
pura razão. Assim como seu ídolo na adolescência, esbarrou nas muralhas impostas pelo meio social, onde muitas vezes a emoção é deixada de lado e onde costuma-se ingenuamente acreditar que seja possível separar raciocínio de sentimentos, como quem separa objetos em uma mesa. Porém essas dificuldades logo foram ultrapassadas através de seu talento e força de vontade Em 1998 fomos estudar em Fortaleza, capital do Ceará, no Colégio Farias Brito, com mais dois amigos: Bruno Carvalho Neves e José Carlos Candeira Filho. Na ocasião, Frederico se destacou num concurso da escola cearense, no caso, o XX Concurso Farias Brito de Poesia, Conto, Redação e Desenho, ficando entre os vencedores das duas primeiras modalidades citadas. Concluindo o Ensino Médio, voltamos à Parnaíba, e depois de anos seguindo na mesma trilha, escolhemos diferentes destinos, embora a mesma carreira. Fui estudar em Sobral (Ceará) História pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA e Frederico ingressou no curso de História da Universidade Estadual do Piauí, onde conquistou, através de profundos estudos, uma brilhante graduação, tendo ensinado em várias escolas da cidade.
Logo veio a Especialização em História do Brasil pela Universidade Federal do Piauí (Campus Parnaíba), e o mestrado em História, também, pela UFPI (Campus Teresina). Frederico ocupa já há algum tempo os cargos de coordenador do Curso de Licenciatura Plena em História da UESPI e coordenador do curso de pós- graduação em Historia do Brasil da Faculdade Piauiense. Atualmente desenvolve Projeto de pesquisa financiado pela Funpesq trabalhando com temas relacionados a cinema, contracultura e década de 1970. É hoje um dos profissionais mais respeitados na área de História no Piauí. Ter visto sua evolução artística, como também ter assistido seu crescimento profissional, tornou possível para mim, e acredito que para muitos estudantes de História de hoje, acreditar que com muita dedicação e esforço ao que se deseja na vida, os sonhos são alcançados. Sonhos esses que começam com um simples gesto de escrever, que acaba gerando vitórias, conquistas de um incansável historiador, que compartilha comigo a mesma paixão pela Arte e pela História, e que certamente o futuro conhecerá seu nome e feitos, mas que para sempre em minha memória vou lembrar: do amigo de infância, que naqueles dias em que as aulas estavam enfadonhas, buscávamos refugio no papel a na caneta… seres sensíveis, lutando contra as hipocrisias do mundo, tentando sobreviver aos desafios do crescimento e falando sobre sentimentos, sonhos e paixões.
Claucio Ciarlini (2008)
*O texto acima foi publicado inicialmente na edição do número 10 do “O Piagüí” impresso, referente ao mês agosto de 2008. Atualmente, Frederico Osanam concluiu o pós doutorado.
Abaixo, Frederico com ex alunos:
Fonte: O Piaguí Virtual
Edição: Mário Pires Santana

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