sexta-feira, 16 de março de 2018

A arte imita a vida

Por *Mário Pires Santana

Em 2002 escrevi uma crônica intitulada “a cadela e o cordeiro”, em que relatava o caso verídico de uma cadela, que numa demonstração real do significado da palavra amor, adotou e amamentou com muita ternura um carneirinho que havia perdido sua mãe. 
Já em 2009 a exibição do excelente filme “sempre ao seu lado”, que encantou o mundo, narrando com muito lirismo outra lição de lealdade e altruísmo, enfatizada pelo nascimento e fortalecimento de uma grande amizade entre o professor universitário Parker Wilson, interpretado pelo consagrado ator Richard Gere e o cão Hachito, da raça japonesa, akita que encontrou abandonado em uma estação de trem da cidade, onde Parker passava diariamente. 
Tudo ia muito bem, até que um inesperado AVC causou a prematura morte de Parker, o que não foi suficiente para arrefecer a grande devoção de Hachi pelo seu estimado amigo. Passados dez anos, ele diariamente ia à estação na esperança de reencontrá-lo. 
Ontem, após o almoço assisti em um canal de TV local, outro exemplo dignificante da relação pacífica e enternecedora, entre os seres humanos e os animais. Um homem ao cometer um ato ilícito foi preso e encaminhado ao 1º Distrito policial. Sucede que, a sua cadela de estimação numa demonstração de companheirismo e lealdade, o acompanhou até aquela delegacia; ficando de prontidão durante cinco dias e não arredando o pé daquele local em nenhum
momento, inclusive tentando várias vezes chegar perto da cela carcerária, na esperança de rever o seu grande amigo. Nesse ínterim várias pessoas dirigiram-se ao 1º Distrito com o propósito de conhecer ao vivo a destemida e amorosa cadela. O pessoal do distrito, demonstrando compaixão e reconhecimento, encarregou-se de fornecer ração, água e aconchego para a cativante cadela. 
Três casos semelhantes ocorridos em épocas distintas, mas com uma grande diferença no conteúdo. Nos dois casos ocorridos em Parnaíba são evidenciados fatos da vida real, enquanto no conceituado filme, os acontecimentos são retratados através de uma magnífica representação artística, proporcionada pelo mundo mágico da 7ª Arte. No entanto, todos enfocando fielmente, encantadores exemplos de que os animais, em muitos casos agem com mais sentimentos nobres e racionais do que os entes humanos, e nos fazendo compreender a máxima, de que a arte imita a vida.
*Crônica escrita e publicada em março de 2003 

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