sábado, 17 de março de 2018

A gratidão do Império

Por *José Siqueira Filho 

Quando nos primórdios do Império Britânico, Elizabeth I, a Rainha Virgem, condecorou Francis Drake, o temido corsário inglês, com o maior título nobiliarquico do seu reinado, ela prestava um tributo de gratidão para com El Dragon. Seus atos de pilhagem e pirataria, trouxeram para a Coroa, o ouro e a prata necessários para o empoderamento do Império. Pouco tempo depois, Sir Francis Drake foi peça fundamental para a Inglaterra derrotar a Invencível Armada espanhola.
Ao agraciar o juiz Sergio Moro com o título de homem do ano pela sua importante contribuição contra a corrupção de empresas e políticos brasileiros, em perfeita parceria com as agências de inteligência e o Departamento de Estado dos EUA., os representantes das maiores corporações americanas e transnacionais, foram absolutamente honestos no seu propósito. Vale lembrar que as empresas brasileiras de engenharia já concorriam, com alguma desenvoltura, com as grandes corporações na Europa, África, Oriente Médio 
e nos EUA. A maioria das obras de infraestrutura e logística de Miami, em data recente, para citar um exemplo, bem como as mais arrojadas pontes da Europa, foram construídas pela Odebrecht. 
Neste sentido, a gratidão do aparelho de Estado americano é profunda e sincera. A perfeita sintonia da grande nação, em defesa dos seus maiores interesses, se manifesta de forma emblemática na homenagem prestada ao juiz nascido no Brasil, pela University of Notre Dame du Lac, South Bend, Indiana, EUA. Representa o inconsciente coletivo de todas as familias americanas que já perderam filhos nas guerras e conflitos do Império, pelo domínio do petróleo, ao longo das últimas décadas. 
Ao possibilitar a entrega pacífica da maior jazida de petróleo do planeta às empresas americanas e transnacionais, sem o disparo de um único tiro e sem uma única morte no exército americano, com o subsequente esfacelamento da empresa brasileira que fez a descoberta do Pré Sal, o juiz Moro merece, não apenas gratidão e respeito dos Estados Unidos.
A atitude determinada e inflexível deste magistrado de primeira instância, de pouca densidade cultural e jurídica, mas com sólido e maciço apoio de todas as grandes empresas de jornalismo e televisão do nosso país, conseguiu impor sua vontade sem nenhuma contestação. Conseguiu a proeza inusitada e inimaginável de anular literalmente todas as instâncias do poder judiciário. Cometeu, inclusive violação clara da Constituição sem que fosse interrompido na sua determinação. E last but not least, entregou o prometido. Conseguiu, com o apoio incansável da mídia nativa, desacreditar as lideranças do partido que ousou implementar um projeto político de soberania para o Brasil e condenar com provas pífias, num processo prenhe de vícios, o maior líder politico do país.
Ao pedir exoneração do cargo de professor da Universidade Federal do Paraná e anunciar sua mudança para os Estados Unidos, . o juiz demonstra seu grau de apreço e consideração com seu país de nascimento.
Habilita-se, assim, à suprema gratidão do Império.
*Médico parnaibano, formado e radicado em Salvador-BA desde a 2ª metade dos anos 60.
Edição: Mário Pires Santana

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