terça-feira, 17 de abril de 2018

Juízo, companheiros

Por Arimatéia Azevedo

Em 2002, quando candidato a governador pelo PT, enfrentando um poderoso esquema montado no governo Vida Nova e, até então, sem ao menos vislumbrar perspectiva de vitória, Wellington Dias era esperado na entrada da cidade de Barras por uma multidão, uma fila imensa de carros levados para ali por vários líderes políticos, entre eles, Ribamar Pereira, do PMDB, Manin Rego, setores da família Lages. Um pequeno grupo de petistas, sem qualquer apelo eleitoral e voto, aborda o candidato fazendo exigência para que ele seguisse na carreata num carrinho (deles) e não no alto do trio elétrico que o esperava. A pronta reação de Wellington foi: ‘meu amigo, quero ganhar a eleição’. Dizendo isso, o então candidato deixou o grupo de ‘companheiros’ para trás e foi-se aboletar entre as ditas tradicionais lideranças, que, sem sombras de dúvidas, foram as que lhe deram os votos para sua vitória já no primeiro turno. Hoje, se tem a impressão de que petistas querem enquadrar Wellington Dias, amarrando-o aos dogmas pré-2002, tentando arrastá-lo a compromissos que só digam respeito ao PT. Essa gente esquece que para se manter por três mandatos de governador e um de senador da República Wellington aprofundou com as elites políticas o pacto desenhado em 2002. Basta ver o leque de partidos com os quais ele vem governando. Se estivesse só com o PT, paciência, ele já teria sido até defenestrado do Palácio de Karnak. Para 2018 os acordos políticos em torno da candidatura para o quarto mandato precisam ser muito melhor costurados diante das circunstâncias políticas nacionais, notadamente, por causa da prisão do líder maior dos ‘companheiros’, o ex-presidente Lula. Por ora, e por sua conta (e não por causa dos companheiros) Wellington se posiciona bem melhor do que os outros governadores petistas candidatos à reeleição. Mas se quiserem estragar, rompam as alianças existentes com os demais partidos. Basta isso.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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