segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lula e o povo brasileiro à sombra da ditadura

POR *ROBERTO BUENO
A grandeza de Lula transpôs o umbral dos estritos limites da política ordinária que foi expressa através de sua gramática de fácil penetração popular e em sua sensível reverberação no mais íntimo do povo brasileiro, o que ocorre a cada olhar, a cada abraço, a cada beijo, a cada ação, a cada fixidez de olhar. A grandeza dos propósitos e sentimentos de Lula apequena os seus perseguidores, e progressivamente mais, a cada um dos passos que esses seus algozes – e do povo brasileiro – se atrevem a perpetrar com auxílio do poderio oculto alimentado pelo império.
A cada uma das medidas tomadas pela vilania e a crueldade desses perseguidores resta exposta publicamente a diminuta talha moral e o ridículo da falta de grandeza desse coletivo de subordinados. Progressivamente Lula se tornou o homem cuja grandeza se confunde com a essência do povo brasileiro, e esse enraizamento o torna perigoso. Lula converteu-se na encarnação política das esperanças populares contra quem as perseguições cruas já não mais têm força para expor nem desacreditar, senão todo o contrário, a continuação dessa desmedida violência desmascara aos seus próprios acusadores vis, cuja única vantagem é a velocidade de suas ações.
Todos nós fomos tocados objetivamente durante anos pela sensibilidade de Lula,
capaz de transformar a sua percepção profunda de mundo em positivas transformações concretas. Lula conheceu desde muito cedo os recônditos mais ocultos do homem e da mulher brasileira, e a serviço deles empregou os seus melhores esforços para reverter as seculares condições de submissão, desonra e opressão as quais haviam sido relegadas as massas. Nenhuma concessão, nenhuma matização, nenhuma moderação, senão uma intensa pressão contra os direitos da população e todo o tipo de ilusionismos mistificadores e ludibriantes.
Hoje Lula está preso no cárcere curitibano de Moro, mas não saiu de cena como pretendem os seus detratores. O equívoco de seus perseguidores é não avaliar que Lula permanece em cena mesmo quando isolado do campo visível, sobrevivendo e pulsando na memória coletiva dos dias de liberdade, respeito e dignidade reconhecidos à íntegra do povo brasileiro. A elite movida a puro ódio ao povo carregou para trás das grades o corpo de Lula, mas bisonhamente desconsidera que a sua sanha de manter bem alimentado a esse primitivo sentimento que os move, em verdade, faz com que essa privação de liberdade apenas intensifique o mito através da rediviva memória da injustiça que a cada dia de restrição de sua liberdade aumentará a chama da injustiça, usual motor das mais intensas reações populares. Péssimo conselheiro, o ódio sem quartel logo apresentará a sua tradução no resultado das pesquisas, que mostrará sensível aumento nas intenções de voto em Lula.
Lula é hoje a esperança aprisionada do povo brasileiro, a soberania enjaulada, a humanidade popular vituperada, e a capacidade de diálogo e pacificação, justo quando o deliberado aprofundamento da crise econômica aperta mais e mais o pescoço e mói as esperanças do povo brasileiro. Esse roteiro parece ter sido desenhado à perfeição como chave de ignição para a deflagração da barbárie institucional por parte daqueles cuja sombra está sempre à volta da esquina em eterna espera da oportunidade para triunfar em meio ao completo caos. Essa quadra histórica demanda inviabilizar a agudização da violência, posto o indisfarçável desejo de instauração do regime de força alimentado pelo grande império.
Lula é o grande prisioneiro político da longa manus coercitiva do poder oculto transnacional, o poder togado, que, é preciso ter claro, em nenhum caso agirá para libertá-lo mesmo quando as leis claramente o favoreçam. Lula é o primeiro prisioneiro político do Estado de exceção que foi reconhecido formalmente pelo TRF-4 e que agora se configura em uma ditadura que se iniciou neste dia 6 de abril de 2018, que prende ilegalmente a maior liderança surgida no Brasil ao passo que organiza agressão e espancamento de manifestantes paranaenses que aguardavam o Presidente chegar à sede da Polícia Federal em Curitiba, quando pacificamente demonstravam o seu desacordo com a violência institucional representada pelo processo inquisitório conduzido por Moro.
Essa configuração da ditadura vem sendo desenhada desde 2016, e agora se materializa no momento na prisão arbitrária de Lula, representativo de milhões de pessoas, preso após sucessivas violações da lei por parte das autoridades estatais. Será um grave erro iludir-nos com o possível cessar dessas violências que, ao contrário, continuarão a ocorrer contra todos aqueles que ousem defender a soberania nacional, que se oponham aos altos interesses do império que há décadas manipula e golpeia de morte as nascentes democracias sul-americanas através de sofisticadas estratégias e da cooptação de uma ampla cadeia de atores e instituições. Isto é história.
A pequenez dos vendilhões e oportunistas traidores da pátria opõe-se à grandeza de Lula constituída por sua integral percepção das raízes mais profundas do país e sua confusão com a alma popular. A única via para a soltura da esperança e a retomada da soberania brasileira é política, a ser realizada pela reunião massiva da população em defesa de seus interesses. O povo brasileiro cansa de apanhar, de testemunhar o desrespeito às suas aspirações e ver violados os seus direitos. Não há opção senão através da ação massiva, e apenas ela pode retomar as rédeas de seu futuro, cuja encarnação objetiva hoje é a libertação de Lula. A densidade para que isso ocorra é que os poderes ocultos percebam com clareza que o preço para manter Lula em prisão é superior ao de colocá-lo em liberdade. A ninguém mais do que ao povo cabe responder qual será o seu futuro, mesmo implicando a reação ao poder estacionado à sombra da ditadura. Reagir era necessário, mas hoje é imperativo para libertar o futuro e a esperança detrás das grades.
*Doutor em filosofia do direito e colunista do blog Cartas Proféticas.
Fonte: Brasil 247 
Edição: Mário Pires Santana 

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