domingo, 6 de maio de 2018

A ESCRAVATURA NA VILLA DE SÃO JOÃO E OS TAMBORES DA PARNAHIBA

Por *Vicente de Paula Araújo Silva “Potência”

Após a Instalação da Villa de São João da Parnahiba em 18/06/1762, João Paulo Diniz implantou a feitoria de salga de carne no lugar “Cítio dos Barcos” , onde existiu a primeira oficina sob o comando do Capitão-Mor João Gomes do Rego Barros, na então Villa de Nossa Senhora do Monserrathe da Parnahiba em 1711. A partir daí, houve uma acentuada movimentação econômica na região tornando-se necessária a importação de mão de obra para os serviços nas lavouras , fazendas de gado e oficinas de charque . Assim, chegaram levas e levas de escravos, principal mão de obra na época. Dentre os empreendedores salientaram-se, entre outros, Domingos Dias da Silva, Manuel Antonio da Silva Henriques, Thomé Pereyra de Araújo, José Lopes da Cruz , Antonio Álvares Ferreira de Veras , Diogo Álvares Ferreira de Veras, José Pereira Montaldo, Jacinto Botelho de Siqueira, Lourenço de Passos Pereira, Rosendo Lopes Castelo Branco, André Coelho Gonçalves e Manoel Ferreira Pinto de Azevedo, tendo, todos eles participado do posicionamento para que a sede da Villa fosse o lugar “ Cítio dos Barcos” atualmente Porto das Barcas. E é exatamente lá na beira do rio Iguará (Igaraçu) onde estão as principais marcas dos negros que por aqui passaram, vindos de muitos lugares, e dispersaram-se a partir da Balaiada no Maranhão e Piauí em 1839, quando já estava em declínio o poderio da família
Dias da Silva, após a morte de Simplício – filho de Domingos – e seu primo Manuel Antonio da Silva Henriques .
No dia 13 de maio p.v. , em todo o país a comunidade negra e os órgãos ligados a cultura brasileira celebrarão a data em que a princesa Izabel assinou a Lei Áurea, em 1888, extinguindo institucionalmente a escravatura no Brasil. Entretanto, até agora, não tomei conhecimento de algum evento que venha a comemorar esse feito histórico em nossa cidade. Nem mesmo os órgãos a quem de direito é exigível que o faça. Mas, na noite passada de 13 de maio de 2016 , lembrei-me dos tempos de criança , quando todos os anos na mesma data, se ouvia ao longe o batuque dos tambores, ecoando a partir do Catanduvas , Igaraçu, Ilha Grande de Santa Isabel e Tabuleiro, onde, descendentes de negros comemoravam na DANÇA DO CÔCO a lembrança do fim do cativeiro ao qual os seus antepassados e também meus vivenciaram. O “Gominha” , negro boêmio de saudosa memória , gostava de entoar uma velha cantiga, ainda, hoje repetida por Djalma Borges nas horas brahamais, a qual , tem o seguinte trecho : “ Mamãe não quer casca de côco no terreiro
Que é pra não lembrar do tempo do cativeiro” ...
Hoje, as manifestações folclóricas dos tempos da Villa de São João da Parnahiba são vistas nas apresentações dos grupos de macumba e capoeira, onde , estão presentes e latentes as marcas do passado no requebro dançante dos seus figurantes sob a batida forte de batuqueiros dos TAMBORES DA PARNAÍBA. O presente artigo escrito antes, foi revisto em 14/05/2016 e ele se mantém atual, visto que até agora não se tem notícias de nenhuma comemoração oficial da data, por parte do Poder Público Municipal. Aguardemos.
*O Potência é um estudioso da História Remota da Parnahyba
Edição: Mário Pires Santana

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