terça-feira, 15 de maio de 2018

Colégio das Irmãs: palestra reforça o papel da escola e da família na formação dos jovens

“Quando a família é a primeira escola, a escola tem que ser a segunda família” – é com essas palavras que o professor doutor em Educação e Filosofia pela Unicamp, César Nunes, resume o papel das duas instituições mais importantes na vida: a escola e a família.
Por Jordana Cury
            Foto/Wilson Filho/cidadeverde.com
A convite do Colégio Sagrado Coração de Jesus, o especialista esteve em Teresina no último sábado (12), onde ministrou palestras para professores e pais de alunos do colégio.
De forma simples e objetiva, Nunes pontuou aspectos fundamentais da família que estão sendo esquecidos na vida moderna e enfatizou a importância da união entre as duas instituições para a boa formação dos jovens. A palestra foi um verdadeiro chamado à reflexão e por vezes emocionou os pais e educadores presentes.
“Eu costumo dizer que as duas estreias que não podem falhar na vida é a estreia na família e a estreia na escola. Quem estreia bem nas duas vai ser feliz em qualquer lugar porque essa é a base. A família tem o papel de construir a autoestima da criança, acolher e desenvolver a identidade, sem ser autoritária,
mas sem ser anárquica, a partir de uma conduta de valores e de um equilíbrio. O papel da escola tem que ser a formação cultural, mas também a continuidade da formação ética da família. Quando a família transfere para a escola um papel que é dela, a criança sofre. Quando a escola fica culpabilizando a família e não procura reencaminhar as coisas, a criança também sofre”, afirma o palestrante. 
Em pouco mais de duas horas de conversa, César Nunes destacou as mudanças nas relações familiares que estão acontecendo no mundo todo e o impacto das novas tecnologias na vida das pessoas. Segundo ele, esses são os principais desafios do mundo moderno, que tem preocupado substancialmente pais e professores. 
“Sem qualquer julgamento, podemos dizer que a família pode mudar, mas nela não pode faltar algumas coisas, como o amor, a proteção às crianças, o afeto, a espiritualidade. Esses são os valores fundamentais que precisam ser passados aos filhos. Hoje vivemos um descompasso. As mudanças aconteceram de maneira muito rápida e deixou para trás valores humanos que são essenciais, como a ancestralidade, hospitalidade, convivência com o outro. Deixamos de passear pelas praças, de comer à mesa com a família. Agora a gente não pode ficar só lamentando e tendo saudade disso, precisamos retomar esse comportamento”, argumenta o professor. 
Como exemplo do que precisa ser trabalhado, Nunes citou a necessidade de debater com os filhos o que eles estão assistindo e acessando. “Não adianta proibir, mudar de canal, porque os filhos vão achar outras formas de ver. Mas é preciso que cada programa seja debatido porque assim você cria na criança ou no adolescente o senso crítico e, com isso, os pais se transformam numa referência qualitativa para seus filhos. O mundo está cheio de mensagens perversas, negativas. Mas se a qualidade da mensagem dos pais e da escola for melhor, há mais chances de convencer e conquistar nossos filhos e nossos alunos”, avalia.
Foto: Gustavo Alencar e Breno Andrade/CSCJ
Para Patrícia Caldas, mãe do André, de 9 anos, e do Arthur, de 17, o momento promovido pelo Colégio das Irmãs foi importante para refletir sobre a conduta que os pais devem ter com os filhos, e abrir a mente para novas perspectivas. “Vou para casa com uma nova cabeça, com outras perspectivas e com o aprofundamento de visões que eu já tinha. Essa palestra trouxe uma ótima reflexão sobre a importância dos nossos costumes, das nossas tradições. Mostrou uma nova forma de enxergar o clássico, que não é como algo antigo, mas sim como algo indispensável. Vamos levar coisas novas para a nossa rotina”, declara.
Escola e família unidas e fortalecidas
Diante de tantos acessos fáceis aos mais variados conteúdos e do encurtamento das relações pessoais, não deve ficar só com a família o papel do resgate. Esse é um dos aspectos trabalhos pelo especialista na palestra dedicada aos educadores. De acordo com ele, a escola se diferencia quando não perde a dimensão humanística, afetiva, que orienta as crianças para uma resposta ao mundo, “uma resposta de sustentabilidade, de inclusão e de respeito”.
Foto: Gustavo Alencar e Breno Andrade/ CSCJ
Ele defende que é preciso sair um pouco do modelo educacional para entrar na escola que humaniza e acolhe. “Isso não significa passar a mão na cabeça, significa mostrar que a vida é dialética. Os jovens hoje passam mais tempo na escola do que com os pais, então é preciso que a escola busque essa qualidade de intervenção, que não leva em consideração só a frequência, a nota e a disciplina, mas avalia a criatividade, a ética e a disposição para trabalhar com os outros”, diz.
César Nunes destaca ainda que o professor deve ser sempre um paradigma, um modelo humano e afetivo, sem deixar de lado o domínio do conteúdo e a referência didática. “Tem que ter riqueza para passar aos alunos, tem que ter equilíbrio emocional e alegria humana. Muitos professores têm domínio de conteúdo e referência didática, mas não têm esse equilíbrio, aí os alunos passam pela escola, mas ficam admirando uma pessoa famosa que não tem nada na cabeça. Quando não conseguimos a admiração dos nossos alunos, aí temos um grave problema”, pontua.
Foto: Wilson Filho / Cidadeverde.com
E é exatamente para remar na contramão desses problemas que o Colégio das Irmãs tem trabalhado eventos como esses. Para a diretora da escola, Irmã Nídia Machado Ribeiro, o grande desafio é saber lidar com as novas demandas sem fugir dos princípios filosóficos cristãos, que muitas vezes não coadunam com o que a sociedade vive hoje – a chamada inversão de valores. Para isso, a estratégia da escola é aliar forças com as famílias. 
“Nossa escola prima pela formação permanente humana. E, impreterivelmente, a família tem que estar presente dentro da escola. Se a gente não vai ao encontro da família para comungar com ela o nosso projeto, trazê-la para perto de nós nesse sentido, nosso projeto não acontece. Essa parceria é fundamental, por isso estamos trazendo eventos como esses, com palestras informativas, pedagogos, psicólogos, pessoas renomadas que podem nos ajudar a trazer as famílias para perto de nós”, afirma a diretora. 
Mirna Freitas, do Serviço de Psicologia Escolar do CSCJ, avalia que, ao convocar a família para estar presente em vários momentos dentro da escola, é possível perceber com mais clareza as facilidades e as dificuldades de cada aluno, para analisar as capacidades e perceber as limitações. “Assim, escola e família atuam juntas e quem ganha com isso é a criança, quem terá fortalecimento emocional e melhor estrutura de vida”.
Foto: Wilson Filho / Cidadeverde.com
A preocupação da escola, no entanto, vai além e não se restringe a buscar o apoio das famílias. “A nossa preocupação com os professores é ainda mais cotidiana. Como nós somos uma escola católica, nossos valores são os de Jesus Cristo. É isso que permeia as aulas e a vida do educador. Temos muito cuidado ao formar nossos professores nessa dimensão de fortalecimento espiritual, crescendo na fé. Por isso oportunizamos muitas ações nesse sentido, momentos de espiritualidade para que os professores, fortalecidos, possam viver, pacientemente, todo o contexto da formação humana cristã”, finaliza Irmã Nídia. 
Fonte: cidadadeverde.com
Edição: Mário Pires Santana

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