segunda-feira, 28 de maio de 2018

Generais não obedecem a Temer

POR *ALEX SOLNIK
Está dito na constituição de 1988 que o presidente da República é o comandante-em-chefe das Forças Armadas e estas lhe devem obediência. Sexta-feira passada Temer deu uma ordem às Forças Armadas: tirem os caminhões das estradas.
Até domingo nada aconteceu. Nesse dia, por twitter, o general Villas Boas, o número 1 do Exército ignorou Temer, que garantiu que motoristas do Exército tomariam o volante dos caminhões para retirá-los das pistas. Disse que a ordem é negociar com os grevistas.
No mesmo dia, o interventor do Rio, general Braga Netto obedeceu às diretrizes de Villas Boas e não às de Temer. Alegou que não usaria de força com os caminhoneiros que há oito dias paralisam o país e o Rio: “só se for necessário”. Como se ainda não fosse. E repetiu a ladainha de Villas Boas: por enquanto, vamos negociar.
Pezão, ao seu lado, não o contestou, confirmando a sentença segundo a qual “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Fez um apelo aos caminhoneiros para que parassem a greve por motivos humanitários e não conseguiu responder à pergunta fundamental dos jornalistas: quando os cariocas poderão abastecer seus veículos.
Em condições normais de tempo e temperatura, generais que não obedecem ao presidente da República costumam ser afastados de suas funções, mas isso só acontece quando o presidente tem autoridade.
*Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"
Fonte: Brasil 247
Edição: Mário Pires Santana

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são de responsabilidade de seus autores, e não refletem, de maneira nenhuma, a opinião do redator deste portal.