terça-feira, 22 de maio de 2018

O grito nada inocente

Por Arimatéia Azevedo

A greve da polícia civil pode mostrar para a população muito mais que as muitas reivindicações dos policiais que desejam melhorias em suas condições de trabalho.
A luta da categoria vai expor feridas extensas que vão muito além dos pouquíssimos recursos disponíveis para o sistema de segurança como um todo, mas exacerba a fragilidade do aparato policial, carente de tudo que possa dizer de efetiva segurança comum. Os relatos dos agentes e delegados mostram que não existem viaturas nas delegacias, mas também não se encontra o combustível, papel, caneta, ar condicionado funcionando, copos descartáveis, material de escritório. Tudo está em falta, ou danificado, quebrado. As oficinas estão abarrotadas de carros da polícia, sem autorização para a reposição ou conserto, porque não existe o dinheiro para pagar a conta anterior, ou, por óbvio, contrair um novo compromisso. Não é exagero, as investigações criminais estão todas paralisadas, e os policiais se encontram em condições desesperadoras. O maior contingente de crimes são os furtos e roubos, sem a menor chance de, sob esse quadro caótico, fazer fluir um trabalho sério que possa esclarecer ou inibir as práticas criminosas. Os homicídios, igualmente, se encontram em compasso de espera, pela ausência de meios periciais e logísticos pra as investigações. É hora de o governador mandar apurar a quantas andam essas contas sem fim nas oficinas. Falam em cifras de milhões. Mas também precisa mandar verificar o que pode e deve ser feito para impedir que se perca o controle do sistema de segurança pública, sustentado pelo último fio da aranha. Ou o próximo grito a ser ouvido vai ser dos inocentes que se encontram à mercê da ação do bandido.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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