segunda-feira, 28 de maio de 2018

Tem gato na tuba

Por Arimatéia Azevedo

Quem tem se dado ao trabalho de ler sobre as últimas greves de caminhoneiros no Brasil, deflagradas quase como efemérides desde o governo Sarney, poderá perceber que no final desses movimentos sempre quem ganha o maior naco são as grandes empresas transportadores – corporações gigantescas organizadas como guildas sindicais. Foi assim nos governos de Fernando Henrique, de Lula e da Dilma. Não vai ser diferente agora no cambaleante governo de Michel Temer, que teve o agravante de subestimar o estrago que a paralisação do transporte rodoviário de carga pode acarretar ao país. Como de outras ocasiões, a greve de motoristas é uma ilusão, por tratar-se de um locaute travestido em paralisação de trabalhadores – que incautos em todo o país vêm apoiando com fervor religioso. Ora, prestem atenção na pauta de reivindicações, que, como em outros governos, era similar: desoneração fiscal, redução do preço de combustíveis, fixação de um valor mínimo para fretes. Nenhuma palavra sobre o horário abusivo a que são submetidos os motoristas para cumprir horários e metas; zero sobre medidas de segurança numa atividade altamente vulnerável e outras reivindicações próprias de quem ocupa o lado mais fraco da relação de trabalho. Que raios de “greve” é essa? Não se trata de greve, mas de um movimento de empresários acostumados a esfolar a Viúva para manter seus privilégios ou um mercado cativo. Temos uma greve que não é greve e que está ferrando o país. E seguem milhões de pessoas, tolas e enganadas, achando que tudo isso é algo para ser aplaudido. Coitados. Não se deram conta de que nessa tuba tem gato.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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