domingo, 6 de maio de 2018

Unidade da esquerda é indispensável, mas insuficiente

POR *EMIR SADER
Prega-se sempre a unidade de esquerda, indispensável, mas não é a salvação de tudo, como se pretende. Em primeiro lugar, porque a esquerda já está unida, no essencial. Então os que pregam sua unidade desconhecem as posições das principais forcas de esquerda, unida na defesa da democracia, na luta pela liberdade do Lula, pelo seu direito de ser candidato, pela retomada do desenvolvimento econômico com distribuição de renda, pela retomada de politica externa soberana. Que haja mais do que um pré-candidato, não significa necessariamente divisão da esquerda, já que os principais candidatos da esquerda costumam estar nos mesmos palanques.
Mais confusa ainda é a proposta de uma frente antifascista, oriunda das concepções dogmáticas da velha esquerda do século XX, para a qualquer regime ditatorial seria fascista, tão traumatizada ficou com as derrotas sofridas por essa esquerda nos anos 1920 e 1930 do século passado. Como sempre fez e sempre de maneira errônea, tenta transpor mecanicamente as experiências europeias
para a América Latina, com um sem numero de erros, inclusive os de caracterizar a Getúlio e a Peron como fascistas, como os Mussolinis latino-americano.
O fascismo não é qualquer ditadura, nem qualquer manifestação de direita radicalizada. Na sua definição mais precisa, é uma contrarrevolução de massas.

*Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros.

Por Brasil 247
Edição: Mário Pires Santana

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