quarta-feira, 13 de junho de 2018

A inércia do Poder

Por Arimatéia Azevedo

“Você quer ser atendido às 16 horas em algum cartório de Teresina? Chegue lá às seis da manhã”. É assim que se mede o tamanho da humilhação e sofrimento dos que precisam dos serviços cartorários em Teresina. A prestação de serviços beira a irresponsabilidade, notadamente nos cartórios sob intervenção do Tribunal de Justiça do Piauí. A medida judicial da corregedoria, que começou pelo famoso ‘Naila Bucar’, fechou o ‘Nazareno Araújo’ e está de olho em outros, invoca o argumento de que trará melhoria. Piora. E muito. As filas para um simples reconhecimento de firma são de matar de vergonha os responsáveis pelo funcionamento desses estabelecimentos. O cartório do 2º ofício faz os clientes que antes odiavam a família que o controlava sentirem saudade daqueles tenebrosos tempos. Porque, comparado ao tratamento de hoje, era bem melhor aguentar a humilhação de outrora. Enquanto isso o concurso para provimento dessas serventias está num compasso de espera intolerável, há cinco anos. É um arranjado sem fim. Na gestão desses cartórios o Poder Judiciário já demonstrou sua inércia, principalmente por designar pessoas desqualificadas e descompromissadas para o trabalho, assim como fracassa na própria coordenação e fiscalização desses serviços, que é seu dever constitucional. Diante desse descalabro é forçoso acreditar em mais uma promessa de que o concurso andará, visto que está claro, ao longo dos anos, que os serviços extrajudiciais ficam em segundo plano nas metas a serem cumpridas pelo Poder Judiciário.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são de responsabilidade de seus autores, e não refletem, de maneira nenhuma, a opinião do redator deste portal.