segunda-feira, 2 de julho de 2018

O risco do “não-voto”

Por Arimatéia Azevedo

O Tocantins foi às urnas dois domingos atrás para eleger um governador. Mas a eleição não entusiasmou as pessoas: 51,83% dos eleitores inscritos no Estado não compareceram às urnas, anularam ou votaram em branco. Isso não invalida a eleição, como muita gente acredita erroneamente, mas sinaliza uma espécie de deslegitimação do eleito. Cientistas políticos e jornalistas especializados na área têm se referido a essa condição como o “não-voto”, que consiste no fastio do eleitor em participar do processo eleitoral. O que pode parecer uma posição de protesto dos eleitores é, no entanto, um grave risco, porque cria um terreno fértil para algo pior que a política, que é a negação da política, a “não-política”. O espaço da “não-política” é aquele em que vicejam os desejos autoritários e o populismo personalista que costuma descambar para a substituição da democracia por regimes formados por pessoas com o condão para tutelar a população, escolhendo em seu lugar o que consideram o melhor
para o país. O “não-voto” também favorece o mau político, esteja ele com ou sem mandato e, portanto, deixar de votar não representa protestar, mas simplesmente ajudar a política de má qualidade, a governança ruim, a demagogia e o populismo.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são de responsabilidade de seus autores, e não refletem, de maneira nenhuma, a opinião do redator deste portal.