quarta-feira, 18 de julho de 2018

Pequenas corrupções

Por Mário Pires Santana

A experiência tem demonstrado quanto é difícil combater a corrupção. Esta prática se enraizou na cultura do país de modo a adquirir foros de normalidade. É fato quase comum, quase banal e rotineiro, e pode ser catalogada como uma das tipicidades mais evidentes do comportamento nacional. Em 2012, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estudou o famoso “jeitinho” brasileiro, em parceria com o Instituto Vox Populi. Desse trabalho resultou uma lista das maiores espertezas em voga. A começar pela recusa em declarar o Imposto de Renda e sonegar nota fiscal. Seguem a tentativa de subornar o guarda para evitar multas, falsificar carteira de estudante para obter meia entrada, dar e aceitar troco errado, furar filas, piratear TV a cabo, vender produtos falsificados ou com o prazo de validade vencido, bater o ponto do colega, falsificar assinaturas. É a cultura de tirar vantagens indevidas em tudo. A pesquisa inspirou a Controladoria Geral da União (CGU) a lançar campanha no Facebook, a partir do dia 9 deste mês. O apelo é significativo: “Pequenas Corrupções – Diga Não”. Cerca de 7,6 milhões de internautas já visualizaram a postagem. Mais de um ano atrás, em 24/11/2012, o jornal local da Rede Globo
em Minas gerais, o MGTV divulgou um vídeo em que um cientista político analisa as conclusões da pesquisa, interrogado por um repórter. Ao vezo de se levar vantagem sempre que possível, o cientista João Batista Domingos Filho denomina cultura da esperteza. As pessoas tendem a ser ardilosas, buscam o logro, transgridem normas. Ele atribui a causa a legado do escravagismo em sociedade desigual. O jeito é multar. Uma psicóloga representante no Brasil da ONG Transparência Internacional, assim explica o grande acesso à campanha, na maioria de jovens: nos últimos dois anos eles se têm empenhado a fundo em debater e participar da batalha contra atos maiores e menores de corrupção, incluindo o repúdio à cultura da esperteza.
Este texto tem como base, o Editorial do centenário Jornal “A Tarde” de Salvador, dia 24/02/2014. O tempo passa, a situação continua a evoluir em progressão geométrica. Publicado neste Blog em outubro de 2015.
Edição: Mário Pires Santana

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