quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Brevíssimo resumo do desempenho dos candidatos a presidência no debate da Band

Por Alexandre De Oliveira Périgo
Cabo-Pastor Daciolo: É uma espécie de "Bolsonaro emburrecido", se é que isso é possível. Chamou Ciro Gomes de comunista e levou a medalha de zurro psicodélico da noite. Inventou, em um momento de rara inteligência e criatividade em nome de Jesus, o "petróleo manufaturado". Não chega nem a sargento de cupinzeiro.
Álvaro Dias: não se pode confiar em alguém que, como o candidato, sorri até quando deseja esfaquear seu adversário ou, pior ainda, quando deseja esfaquear todo o Brasil sugerindo Moro para ministro da justiça. Com voz de locutor de velório inovou ao adaptar o famoso jargão-relincho "querem transformar o Brasil em uma Cuba" em "quero transformar o Brasil numa Lava-Jato".
Geraldo Alckmin: adotou seu costumeiro tom didático-slow-motion para explicar tintim por tintim como destruirá o Brasil. Não coincidentemente é médico anestesista de formação; deve ter experimentado todos os tipos de anestésicos cirúrgicos durante seu curso de medicina. Fez por merecer um paredón-triplo-carpado ao ter chamado Ana "Al-Qaeda-Jazzera" Amélia de "melhor quadro do parlamento brasileiro" e ao ter dito que "privatizações tornam o estado mais forte". Gravei o áudio de suas falas mais enérgicas para me ajudar nas noites de insônia.
Jair Bolsonaro: agiu como reza sua índole de ornitorrinco australiano com canelas-palmito de cristal, ou seja, forçou ser simpático até com quem não gosta para evitar ser questionado e assim seguir tentando conquistar eleitores através de sua assumida burrice. Quando teve a oportunidade de formular uma pergunta logicamente escolheu o colega de caserna com Q.I. de sabonete. Foi o autor das grandes pérolas do debate ao se definir como "único candidato de fora do stábichime" e ao inventar uma modalidade anal de deslocamento, o "transporte acuviário". Seu semblante de pânico ao esperar a formulação da pergunta direta de Ciro Gomes valeu o debate - e é lógico que sua resposta foi "me diz aí como fazer porque eu não sei porra nenhuma sobre porra nenhuma". Criadores de mêmes brindarão ávidos a seu nome com litros de coca-cola por toda a madrugada.
Henrique Meirelles: caso inédito de dupla personalidade econômica, já que como representante-mor dos interesses dos banqueiros jactou-se o tempo todo de seus discutíveis grandes feitos à época em que participou do governo de Lula. Provoca certa aflição enquanto fala, pois parece ter uma maçã-do-amor dentro da boca. Seu olhar assustado e gola da camisa excessivamente levantada entregam que teve a jugular recentemente mordida por Temer.
Marina Silva: seguramente o "novo modo de fazer política" defendido pela candidata passa por acordar de quatro em quatro anos para tentar a presidência e também por não responder nada sobre absolutamente nada, sempre escondendo-se atrás de retórica pseudo-rebuscada. Evangélica, conseguiu enrolar em suas suas respostas até mesmo quando questionada sobre aborto. É a típica pessoa que responde a perguntas do tipo "sim ou não" com um sonoro "depende". Se fosse jogadora de futebol cairia mais que Neymar.
Ciro Gomes: muitíssimo bem preparado, fala sobre qualquer tema com desenvoltura inequívoca e sem os generalismos costumeiros da raça política. Exatamente por isso, de modo a não permitirem expor sua diferença com os candidatos da direita, foi acionado e explorado o mínimo possível quando o direcionamento das questões era livre. Foi genial ao chamar o cabo-pastor-candidato de "preço a ser pago em nome da democracia". É de se duvidar que Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Daciolo sejam da mesma espécie de primatas.
Guilherme Boulos: iniciou sua participação de forma brilhante expondo a injustiça cometida com Lula. Mostrou-se contundente e seguro sobre todos os temas, ainda que tenha também sido notadamente boicotado quando houve liberdade dos participantes na escolha do questionado. Em uma tacada só dizimou a direita ao chamar todos seus candidatos de "cinquenta tons de Temer", além de ter mostrado que o verdadeiro mito é a honestidade de Bolsonaro e de ter chamado Meirelles de "porta giratória econômica". Em resumo, me deu vontade de virar mulher só para casar com ele.
Importante: a ausência do PT no debate, fruto da manutenção de uma candidatura inviável de Lula, é emblemático exemplo do quanto a esquerda brasileira perde com essa postura do (ainda) maior partido progressista do país.
Que Tutatis, o misericordioso, impeça que os céus caiam nas cabeças de todos os brasileiros.
Charge de Gervásio Castro Neto
Fonte: Página do Facebook de Gervásio Castro Neto
Edição: Mário Pires Santana

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