domingo, 12 de agosto de 2018

VALE A PENA REVER ESCRITOS NA SÉRIE: MISSIVOS PARA SIMPLÍCIO DIAS IN MEMORIAN

Após ver as mensagens alusivas ao Dia dos Pais, neste ano 2018, lembrei-me do meu saudoso pai e de um artigo publicado em 2011, o qual, segue abaixo:
O CENTENÁRIO DO IÇÃO
Por Vicente de Paula Araújo Silva “Potência”

Hoje, 11 de fevereiro de 2011, ano em que Parnaíba, completará oficialmente 300 anos de existência, estou a te dar notícias aqui da terrinha de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça, também Virgem de Monte Serrate. É que ao acordar na hora em que o galo cantava, ainda no leito passei a recobrar lembranças e sob a inspiração desse feito veio-me a mente inicialmente a figura de Maria das Dores – minha mãe – que, por ironia do destino, de dores morreu aos 56 anos de existência. Daí, atentei para o dia que se iniciava. Era data de aniversário do meu pai, IÇÃO, quando faria 100 anos de existência e que ao iniciar sua viagem pelo além, em junho de 2002, contava 91 anos de idade. Então, pela minha mente apresentou-se a figura daquele caboclo, filho de Clarindo Silva e Joana Alves Teles , descendente de índios, negros e brancos, chegados na Parnaíba tangidos pela seca que assolou o Ceará no início do século XX. Sua avó paterna Honorata Silva, foi uma das parteiras atuantes quando não haviam chegado médicos na cidade, como Marques Bastos, Mirócles
Veras, João Silva Filho e outros que também se projetaram ao longo dos anos. Após estudar até o 4º livro do autor Felisberto de Carvalho, iniciou o aprendizado de ferreiro na oficina de seu pai, renomado artífice na época da navegação no Rio Parnaíba, e carpintaria com o mestre Samuel Frazão. Profissionalmente, ao aposentar-se na extinta RFFSA, exercia a função de Mestre de Carpintaria. Criou , ancorado na sua magnânima esposa Maria das Dores, 15 filhos que se projetaram em diversas atividades laborais, principalmente nas bancária, técnica e no magistério. 
IÇÃO, foi um desportista de destaque no Piauí, como jogador, técnico e árbitro de futebol. Ainda jovem, aos 18 anos de idade, após disputar pelo Fluminense o campeonato piauiense, na época realizado em Parnaíba, foi sorteado para servir o exército em Teresina, quando pela primeira vez foi convocado para integrar a seleção piauiense de futebol. Após voltar para a nossa Princesa do Igaraçú, sagrou-se campeão diversas vezes pelo Fluminense, Flamengo, Parnaíba e Ferroviário , e nesse período até o ano em que pendurou as chuteiras aos 44 anos de idade, foi o atleta piauiense que obteve mais títulos de campeão e maior número de convocações para representar o futebol piauiense em jogos interestaduais. O grande jornalista que ainda hoje vive, Carlos Said “ Magro de Aço”, que o diga.
Foi um ativista em espera de marrecas nas lagoas do bebedouro e outras tantas na Ilha Grande de Santa Isabel. Também, nos finais de semanas participava de pescarias e caçadas de jacus, pacas, veados e onças no Canto do Inferno – lugar na beira do rio Longá – e nos poços do temporário rio Jacaraí , sempre acompanhado de velhos colegas de aventuras como Raimundo Ferraz, Airton Loyola, Lauro, Assis, Dr. Ambrósio Leão, Miguel Nascimento, Tomateão, Zeca Correia, Acrisinho Furtado e muitas vezes também este escriba, ainda corumim. Aliás, dessa turma ainda estão vivos Ayrton Loiola, Lauro e Acrisinho.
Ah, que saudade do “paisão-Ição” que tive a felicidade de ter. PHB, 11/02/2011 – Vic.
Nota: Da turma de colega caçadores, o último a partir foi o Sr. Lauro, estando ainda vivos, apenas, o Sr. Airton Loiola e o amigo Acrisinho Furtado. 
Na foto, três gerações de pais : Eu-Ição e Vinícius-Ição.
Foto: Do Autor
Edição: Mário Pires Santana

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