quarta-feira, 19 de setembro de 2018

O tiro saiu pela culatra

Por Paulo Fontenele

A melhor resposta para esta ideia sem qualquer sentido prático da oposição de elaborar um manifesto à população sobre o que ela considera um caos administrativo do estado veio pelo resultado de uma pesquisa de intenção de votos em que o governador Wellington Dias vence no primeiro turno se as eleições fossem hoje. Nunca na história das eleições desde o restabelecimento das eleições diretas em 1982, candidatos de oposição ao governo se reuniram para se queixar do quadro eleitoral.
É isso a conclusão a que se chega sobre essa triste ideia do manifesto que nada mais é do que uma queixa contra o favoritismo do governador. Ora, tudo o que se disse no manifesto é um resumo daquilo que os candidatos já dizem nos debates da TV, na propaganda eleitoral no rádio e na TV, nas entrevistas e nos atos públicos Piauí afora. O estado do Piauí está um caos e o governo é alvo de operações policiais, como se a população já não soubesse a imprensa deu toda a cobertura.
O que será que os candidatos oposicionistas ao governo esperavam com o manifesto? Achavam que isso reverteria o quadro favorável a Wellington Dias? Pois todo o ganho político-eleitoral que eles esperavam obter foi ofuscado pelo resultado da pesquisa do Instituto Opinar divulgado pela TV Cidade Verde. A
questão do quadro eleitoral favorável ao governador vai muito além daquilo que o denuncismo marcante nesta eleição esperava atingir o governo e o governador não surtiu o efeito esperado.
Quando se quer enfrentar um favoritismo como o que consolida o projeto de reeleição de Wellington Dias, a análise da estratégia cabível deve estar despida de preconceito, prepotência e ódio, componentes contaminadores de uma campanha. O elemento técnico deve ser colocado acima de qualquer entendimento tradicionalista onde o denuncismo é a única munição a alimentar o ataque. É pura incompetência achar que tudo o que se diz do governo é capaz de atingir a imagem que Dias construiu para si.
Por não ter alcançado a repercussão esperada, o manifesto tem por símbolo uma única marca: a do atestado antecipado da derrota pela simples razão de a oposição se unir tarde demais para combater e impedir que o projeto de reeleição do governador se concretize. Por que então não se uniram antes? Talvez – talvez – se a oposição tivesse lançado um candidato apenas fosse possível ameaçar a posição hoje soberana de Dias e com isso provocar a realização de um segundo turno.
Em vez disso, preferiram achar sem qualquer discussão que se lançasse muitos nomes para levar a disputa ao segundo turno. Não se deve definir candidaturas ou estratégias com base no “achismo” – que Dias não vai ganhar, que o Dr. Pessoa é forte, que Luciano é o novo, subestimando a força do adversário. As pesquisas estão provando que o governador é um líder muito forte e que a tentativa de derrubá-lo com um manifesto não foi só um Tito no pé. Foi um tiro que saiu pela culatra.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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