segunda-feira, 29 de outubro de 2018

A vez da direita

Nas eleições presidenciais de 1960, Jânio Quadros venceu as eleições no Brasil depois de três tentativas da UDN, levando a direita a conquistar pela primeira vez o comando da Nação.
Por Paulo Fontenele
Jair Bolsonaro é eleito presidente da República (Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados)
O deputado Jair Bolsonaro (PSL), um político de extrema-direita, consegue repetir o feito de Quadros e leva a direita a vencer uma eleição 58 anos depois. O seu discurso não é igual ao de Jânio Quadros, porque adota linhas mais radicais contra adversários, mas possui algumas semelhanças como o enfrentamento à corrupção.
A diferença entre as eleições de 1960 e a de 2018 está no fato de que naquela época os partidos de esquerda eram proscritos (atuavam na clandestinidade) e o adversário da UDN eram o PSD e o PTB, este último fundado por Getúlio Vargas a adotava uma linha mais social, de vinculação à massa de trabalhadores. Em 2018, o adversário do candidato da extrema-direita era o PT, um partido de esquerda que governou o Brasil de 2002 a 2016, perdendo o poder por um golpe de estado que depôs Dilma Rousseff.
Os 13 anos de poder do PT renderam-lhe um alto desgaste de sua imagem por conta de denúncias de envolvimento de integrantes da alta cúpula do partido em escândalos de corrupção, culminando com a condenação e prisão de seu principal líder, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A prisão de Lula deixou o partido órfão política e eleitoralmente, permitindo que uma candidatura de direita ressurgisse com chances reais de reconquistar o poder através do voto, ofuscando o golpe de 2016.
A vitória de Jair Bolsonaro não deve ser atribuída apenas em função do desgaste que atingiu a imagem do PT. O golpe de 2016 que tirou o PT do poder foi um tiro que saiu pela culatra dado por MDB e, principalmente, o PSDB, partidos que teoricamente teriam o caminho aberto para a volta ao poder com a remoção dos petistas. Com o efeito do plano saindo ao contrário, o tiro feriu o PSDB de morte, pois seu candidato a presidente, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckimin nem foi ao segundo turno.
Mesmo com todo o desgaste, o PT ainda teve méritos de permanecer como um partido sólido ainda que a derrota para Jair Bolsonaro tenha sido amarga. De qualquer sorte, pode servir para o ressurgimento de um novo PT, pois o partido saiu da eleição bem maior que seu adversário tradicional, o PSDB. Só em levar seu candidato para o segundo turno enfrentando todas as adversidades, entre elas a prisão de Lula, o PT não sai derrotado das urnas perdendo espaços no espectro político.
Ainda que Bolsonaro tenha quebrado um tabu de nenhum candidato de extrema-direita ter vencido uma eleição presidencial, sua vitória consolida aquilo que o sistema democrático consolida que é a alternância do poder. Desde o restabelecimento das eleições presidenciais em 1989, após Collor de Mello e seu PRN, a alternância se deu em 20 anos entre PSDB e PT. Esperava-se que a disputa entre os dois se repetiria mas com o PSDB fora do ringue, ao opção ao PT foi em direção ao centro mas a outro extremo.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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