quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Belo texto do Professor e Procurador do Trabalho Eduardo Varandas - João Pessoa/Paraíba

Brasileiros de outras regiões passaram a ofender os nordestinos, tachando-nos de desprovidos de discernimento (idiotas mesmo) e dependentes do bolsa-família. Alcunharam nossa linda região de “Venezuela” ou “Cuba do Sul”.
Por Eduardo Varandas
Mais uma vez, o preconceito e o ódio cegam nossos compatrícios. Não se trata de acolher ou rejeitar o PT. A questão é muito mais profunda e vasta. O Nordeste disse NÃO às propostas de Jair Bolsonaro. Negou apoio à ideia de dois tipos de carteiras de trabalho: uma pela CLT e a outra precarizada (sim, o Nordeste é uma terra de trabalhadores “arretados”, cônscios de direitos historicamente conquistados). Os nordestinos declararam NÃO a um candidato que é analfabeto em economia e administração pública e que, em todos os anos como parlamentar nenhum contributo registrou com projetos importantes. Bolsonaro não nos convenceu de que é o salvador da Pátria. A confusa relação entre ele, seu desastroso vice e seu guru já demonstraram idiossincrasias como nova CPMF, corte de 13º salários e férias, alertando-nos
para a vulnerabilidade do “trio heroico anticorrupção”. O Nordeste temeu pela democracia e pelo Estado de Direito brasileiros, impugnados pelo candidato e equipe, quando defenderam a ditadura, ratificaram a tortura e afrontaram a sistema eletrônico de votação promovido pela Justiça Eleitoral, contra o qual não há uma única evidência de violação. “Eita terra porreta!”. Aqui nasceram Ariano Suassuna, Castro Alves, Gilberto Freyre, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Manuel Bandeira, Paulo Freire, Rui Barbosa e tantos outros ilustres que fizeram, nos seus misteres, mais pelo Brasil do que já ousaram imaginar Bolsonaro e seus milhares de seguidores. “Vixe! Tem problema não!”. Do Maranhão à Bahia, a gente perdoa e aguarda todos os brasileiros para se encantarem com a nossa gastronomia, música, natureza, história e arquitetura. Afinal, foi aqui onde nasceu o Brasil.
Mapa/Reprodução/web
Edição: Mário Pires Santana

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