segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Campo Maior: uma cidade de história, fé e culinária rica

A cidade caracteriza-se pela presença marcante da carnaúba, que lhe rendeu o apelido de "Terra dos Carnaubais".
Por Geysa Silva
Campo Maior foi elevado a município e distrito no ano de 1761, sendo instalado em 8 de agosto de 1762 com a instalação da Vila de Campo Maior. Esta data passou a ser uma das mais importantes para a cidade, tanto é que foi a escolhida para ser o aniversário de Campo Maior, mesmo depois de ser elevada à categoria de cidade em 28 de dezembro de 1889.
A cidade caracteriza-se pela presença marcante da carnaúba, que lhe rendeu o apelido de "Terra dos Carnaubais". O Açude Grande também se destaca neste cenário, encantando turistas que passam pela cidade. Outros pontos turísticos são a "Serra" de Santo Antônio, a Barragem dos Corredores, o Monumento aos Heróis do Jenipapo e a Catedral de Santo Antônio. Campo Maior também é referência por sua gastronomia, o que a tornou conhecida nacionalmente como a “Terra da Carne de Sol”.
No passado, a cidade sediou a mais violenta e única batalha sangrenta pela Independência do Brasil: a Batalha do Jenipapo. O 13 de março de 1823, que é sempre lembrado pelos piauienses, teve papel decisivo para manter a unidade territorial do país e consistiu na luta de vaqueiros, agricultores e outros trabalhadores contra as tropas do Major João José da Cunha Fidié, que cumpria ordens do Rei de Portugal, D. João VI, para que o norte do Brasil permanecesse sob o domínio português. O povo piauiense lutou com facões e instrumentos de trabalho, não com armas. Perderam a batalha, mas não a guerra.
Atualmente, a economia do município está baseada na atividade comercial, agricultura, pecuária e extrativismo. Campo Maior concentra ainda um grande polo religioso, contando com a Catedral de Santo Antônio, que atrai turistas para este que é um dos maiores festejos católicos do Estado.
O sentimento da população
O funcionário público, Gabriel Ferreira, explica o sentimento de amor e gratidão por conviver em Campo Maior. “Carrego comigo a parte cultural e a característica que temos de acolher os visitantes e informar a nossa história. O carinho que tenho por essa igreja, onde nasci e fui criado nas redondezas desta praça. Em relação à cultura, o nosso trabalho de incentivar os jovens, fazendo projetos de valorização da nossa cultura...”, cita.
Moradores são fieis do padroeiro Santo Antônio
Já o lavrador Pedro Sousa fala sobre o orgulho de viver na terra das carnaúbas. “Logo que nasci, não quis bem as coisas da cidade, mas tive uma infância boa em Campo Maior. A cidade se movimentou ao longo dos anos e cresceu. Sinto-me bem sendo campo-maiorense, carrego muitas lembranças boas. Nossa cidade ainda está calma, não está como as cidades grandes e isso ainda é motivo de orgulho para nós”, explica.
A autônoma Maria Dalva também comenta a sua paixão pela terra natal. “Para mim, o melhor lugar do mundo é Campo Maior. Temos a nossa religiosidade, nossa cultura que é bem reconhecida e temos qualidade de vida. Campo Maior é uma cidade ainda pacata, de povo que tem muita fé no nosso Padroeiro Santo Antônio. Então, sou feliz por viver aqui, não desmerecendo as demais cidades”, destaca.
A origem do nome
O professor e historiador, Marcus Paixão (foto à direita), explicou ao O DIA a origem do nome do município. “Em Campo Maior, houve um complexo cultural português muito grande, pois muitas famílias se instalaram aqui. Temos uma geografia privilegiada, com rios e uma terra boa para se criar animais. Com isso, as pessoas pensam que o nome é em decorrência aos campos, mas, na verdade, é uma homenagem a uma cidade Portuguesa de mesmo nome. Esse fenômeno ocorreu em outras vilas também, Marvão, por exemplo, foi da mesma forma”, explica.
Marcus ressalta que o município ainda mantém diversas características da influência portuguesa. “Temos a influência dos portugueses, dos índios e de negros africanos. A parte cultural, a intelectualidade veio de Portugal. Quando se olha para os casarões antigos existentes aqui, nota-se que o traço da arquitetura portuguesa é bem forte. A forma como a nossa principal praça foi construída é um reflexo da cultura portuguesa, onde tem a igreja católica e o largo da praça, como era de costume fazer todas as vilas. Existem outros traços como a própria língua e traços culturais menores, por exemplo, a influência que a família Castelo Branco trouxe para cá na música, na poesia”, pontua.
Características de Campo Maior
O prefeito da cidade, Professor Ribinha (foto), detalha ao O DIA sobre as características que fazem de Campo Maior, um município de destaque para todo o Piauí. “Considero-me um típico nordestino. Sou de Campo Maior, nasci na zona rural deste município e tive minha infância quase toda na zona rural, com o desafio de vir estudar na zona urbana. Naquele momento, não tínhamos as facilidades que se têm hoje em relação a transporte escolar. Então, era certo sofrimento, mas nos divertíamos bastante. Morei em seguida na casa de parentes na zona urbana, onde pude concluir os estudos e me fixar por aqui. Tenho Campo Maior como uma das belezas da minha vida, pois tem uma representação histórica muito grande para o cenário nacional, então isso representa muito para quem nasceu e vive aqui. Outros aspectos também fazem parte desta beleza que é Campo Maior. O Açude Grande, por exemplo, que estamos cuidando e fazendo melhorias por ali, outros cartões postais, a praça e a Catedral de Santo Antônio, a nossa religiosidade que anualmente atrai milhares de fiéis, a culinária campo-maiorense e tantas outras coisas que podemos citar como características de Campo Maior. Como pessoa e como cidadão, vejo que são muitos motivos de orgulho para conviver em Campo Maior”, explica.
Professor Ribinha cita ainda os desafios de ser prefeito de um município como Campo Maior e lista alguns feitos e ações. “Em relação à política, foi uma surpresa para mim. A política cabia mais para as famílias tradicionais aqui no município, aquelas que já tinham algum privilégio do ponto de vista econômico. Sou um gestor que venho da zona rural, sou professor e sou grato pela acolhida da população. Então, vejo que tenho uma missão de trabalhar muito mais e cuidar da nossa cidade. Eu vejo que o prefeito tem que cuidar como se fosse a sua casa! Estamos trabalhando bastante em todas as áreas da administração municipal, temos uma Saúde bem avaliada, uma educação que também é referência e que teve um bom índice no Ideb, o que é, para mim, um motivo de muito orgulho. A valorização dos profissionais é um dos destaques da nossa gestão. Trabalhamos para que não falte merenda nas escolas, melhoramos o transporte escolar. Todas as áreas estão sendo beneficiadas, grandes obras de mobilidade urbana, a revitalização do Açude Grande é outra grande obra que estamos realizando; além de muito trabalho também na nossa zona rural com a construção, recuperação de estradas, abastecimento de água, construção de pontes e outras ações”, pontua.
Fonte: Jornal O Dia
Edição: Mário Pires Santana

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