terça-feira, 9 de outubro de 2018

Os 46% que rejeitam Bolsonaro podem dar vitória a Haddad

Bolsonaro está muito longe de ser uma unanimidade nacional, apesar da onda fascista que varre o país. Há quem o ame e há quem o odeie.
Por *Alex Solnik
Embora ele tenha obtido 46% dos votos no primeiro turno, pesquisas apontam que outros 46% não votam nele de jeito algum. Se eles não votam nele de jeito algum, ou anulam o voto ou não comparecem ou votam no outro candidato. O outro é Haddad. Esse é um dos nichos onde Haddad pode buscar oxigênio.
A campanha tem que mostrar a esses eleitores que eles só evitam a vitória de Bolsonaro – que é o que desejam, pois o repudiam - votando em Haddad; se votarem nulo ajudam Bolsonaro. Ontem ele mostrou disposição para ir atrás dos votos que não estão com Bolsonaro, sejam de esquerda ou não.
Em rápida entrevista ao Jornal Nacional, fora do estúdio, compartilhada pelo adversário, também em externa, na verdade uma espécie de pacto pela democracia ao qual a Globo os convocou, Haddad estreou seu novo figurino e mostrou os novos rumos da campanha para o segundo turno.
Definiu-se como candidato da social democracia e defensor do estado de bem-estar social. Não entrou em temas polêmicos. Afirmou que tinha revisto a ideia de uma nova constituição, prometeu fazer as reformas necessárias – tributária e bancária - por meio de emendas constitucionais. Questionado a respeito de
declarações do ex-ministro José Dirceu ao El País, que disse que o PT "logo iria tomar o poder", Haddad foi duro. Disse que o ex-ministro não fará parte do seu governo e que não concorda com a sua posição.
Foram claros acenos aos eleitores de todos os candidatos que não chegaram ao segundo turno e que somam 24% dos votos. Esses 24% podem estar entre os 46% que rejeitam Bolsonaro. Somados aos seus 29%, levariam Haddad à vitória, com 53%. A ideia do pacto pela democracia faz bem a Haddad. Traz a campanha para o seu campo. Ao forçar Bolsonaro a se comprometer com as regras do jogo democrático a Globo o enquadrou e o domesticou. Haddad joga muito melhor em campo de grama bem aparada do que no lodaçal que é o habitat preferido de Bolsonaro.
Apoiar pacto pela democracia é importante, mas, quando se trata de Bolsonaro, uma coisa é falar, cumprir é outra. A palavra não é o forte nem de seus dois grandes ídolos – Hitler e Trump – nem do próprio Bolsonaro, que mente sem parar o tempo todo sobre o presente, o passado e o futuro, desde que seja conveniente para apoiar suas teses do tempo das cavernas, de preferência escondido no whatsapp
*Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"
Fonte: Brasil 247
Edição: Mário Pires Santana

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