quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Superficialidade pode prejudicar jovens no mercado de trabalho

Segundo professora, alunos chegam ao ensino superior com “informação sobre diversas áreas, mas o conhecimento aprofundado sobre o tema é pequeno”.
Por Isabela Lopes
Foto: Jailson Soares/O DIA
Ao analisar a Geração Z, que são as pessoas nascidas entre os anos de 1990 e 2010, observa-se que são jovens que têm a tecnologia atrelada às suas vidas. Porém, apesar de ser um artifício de suma importância, estas ferramentas têm prejudicado o aprendizado e desenvolvimento desses jovens, tanto ao ingressarem no ensino superior como no mercado de trabalho. 
Segundo Erica Borri, professora de Administração e coordenadora pedagógica da Faculdade Cesvale, os jovens da Geração Z possuem muita resistência em prestar atenção no que está sendo ensinado pelos professores e, ao invés de anotarem, optam por fotografar o conteúdo ou receber por e-mail. Essa metodologia faz com que os alunos não aprofundem o conteúdo.
“Ele não tem essa preocupação de fazer anotações e acompanhar o material dado pelo professor. A leitura que temos desse aluno, quando ingressa no ensino superior, é um pouco diferente do que tínhamos há 10 anos. Hoje, temos um aluno que vem com uma leitura de informação maior, mas com uma formação de conhecimento menor. Ele detém informação sobre diversas áreas, mas o conhecimento aprofundado sobre o tema é pequeno. Então, temos uma leitura de superficialidade”, frisa.
Erica Borri enfatiza que esta conjuntura pode vir a causar prejuízos, sobretudo quando esses jovens forem ingressar no mercado de trabalho. Ela comenta que essa relação do mercado de trabalho versus academia é um desafio muito grande, vez que o mercado busca profissionais qualificados e com conhecimento.
“Esse aluno que detém muita informação, por conta do acesso à tecnologia, acaba ficando na superficialidade e deixa de conhecer determinado assunto com profundidade, sendo que o mercado quer um profissional que conheça tecnicamente e execute corretamente. Quando a pessoa diz que sabe falar sobre tudo, na verdade ela não sabe falar sobre nada e, quando questionado, esse aluno não tem profundidade para fazer”, explica.
Sobre um elemento clássico que foi deixado para segundo plano - o livro físico, a coordenadora pedagógica explica que, atualmente, trabalha-se com uma bibliografia digital, onde é possível fazer a captura do conteúdo na tela de um celular ou tablet e guardar essa informação para ler em outro momento.
“Uma característica que pudemos observar, dentro da área de acompanhamento desses jovens, é o déficit de atenção. Esse desvio de atenção acontece porque eles não concentram a leitura ao professor ou a algo que o professor está explicando. O professor está falando de matemática e os alunos estão buscando essa informação no celular e, em alguns casos, fazendo um confronto com o professor ao invés de buscar se aprofundar e conhecer realmente aquele assunto. Os alunos estão entrando no ensino superior cada vez mais cedo e, às vezes, não têm a definição da área que querem atuar”, fala.
Metodologia ativa
Por ser uma geração muito atrelada à tecnologia, é preciso que se trabalhem maneiras de tornar essa convivência e relacionamento mais práticos. Uma ferramenta que tem sido muita usada no ensino superior é a metodologia ativa. “É possível proporcionar situações de vivência ao aluno para que ele tenha condição de desenvolver um determinado conteúdo, atrelando diversas plataformas digitais, remetendo a ele o conteúdo que o professor está trabalhando”, conclui Erica Borri.
Fonte: portalodia.com
Edição: Mário Pires Santana

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