sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Uma Encantadora História de Vida - João Carlos de Freitas Borges

Depois de exatos 17 dias fora desta mídia social (tinha prometido pra mim mesmo que voltaria apenas depois das eleições) voltei por conta de uma coincidência e pra não me omitir numa hora tão importante para todos nós. 
Por Helder Fontenele
João Carlos Borges e Helder
Ontem à noitinha recebi uma mensagem no WhatsApp do amigo Paulo Curicaca em que a mesma conta a história de vida de uma pessoa. A mesma tinha nascido em Mossoró (RN), criado em Icapuí (CE) e Luis Correia (PI) e que hoje trabalha aqui em Parnaíba (PI), li e repassei esta história para contatos e para um grupo. Em minutos recebi mensagens que a mesma tinha sido compartilhada e outras falando abertamente que era mais um 'Fake News', que está sendo absurdamente usado nesta eleições. Pouco tempo depois fui à uma reunião apartidária em que estamos defendendo a candidatura de Haddad e para minha surpresa encontrei João Carlos Borges que foi o autor do texto no qual me emocionei. Apenas estou postando por conta de inúmeras mentiras que estão sendo disseminadas nas redes sociais, um depoimento verdadeiro e sincero que
conta a história nua e crua de um vizinho nosso. "Eu sou João Carlos de Freitas Borges. Homem, gay, cristão e professor. Nasci em Mossoró (RN), me criei em Icapuí (CE) e cresci em Luís Correia (PI) onde vivo até hoje. Sou um legítimo nordestino. Nunca conheci de perto os horrores da seca e também nunca passei fome, mas cresci aprendendo que contar os centavos era condição básica para a minha sobrevivência. Sou filho de um pescador artesanal e de uma cortadeira de labirinto. Convivi com ameaças de despejo e mudanças até meus 20 anos. Morei de favor em casa de parentes; morei à beira de cais e até em casa sem banheiro. Meu pai pescava lagosta durante a temporada e no período do defeso matava boi, subia em coqueiro pra derrubar coco, fazia roça no quintal... minha mãe fazia tapiocas, para vender... por isso nunca passei fome. 
Também fui beneficiário do Bolsa Família. Comi dele durante um bom tempo. Aos 14 anos, em 2006, foi aberta em Parnaíba – cidade vizinha a Luís Correia – uma Uned do antigo CEFET. Me inscrevi no teste seletivo, passei, e para estudar comecei a trabalhar como garçom na praia de Atalaia. À época meu pai tinha que decidir entre pagar minhas passagens e despesas e pagar o aluguel da casa onde eu e minha família morávamos. Eu não deixaria esse peso em suas costas. Trabalhei na Barraca do Sr. Carlitu’s até meus vinte anos, quando conclui minha graduação, passei no meu primeiro concurso público e também na seleção do mestrado. Minha vida mudou. Sou filho das instituições públicas de ensino criadas e/ou ampliadas na última década. 
Estudei minha vida toda em Escola Estadual, fiz graduação em uma universidade estadual (na UESPI, onde hoje sou professor substituto) e mestrado em Universidade Federal (na UFPI). Sei que nessa história toda há uma boa parcela de mérito e esforço meu. 
Mas sei igualmente que há por trás de mim uma enorme quantidade de políticas públicas que me oportunizaram mudar a minha vida e a da minha família. Caso contrário eu não seria o primeiro de quase trinta netos do meu avô a fazer um curso superior; o primeiro a fazer um mestrado e o primeiro a lecionar em uma universidade. 
Acho que sou parte do Brasil que deu certo nos últimos anos, esse Brasil que ainda habita meus sonhos e que pulsa em mim, me fazendo acordar cheio de força para lutar a cada novo dia. 
Não posso deixar que o ódio e o fascismo destruam isso. Não posso coadunar com qualquer proposta de (des)governo que coloque em xeque as minhas conquistas, que são também do meu povo. 
E é por um Brasil mais humano, que celebra a sua diversidade distribuindo oportunidades; por um Brasil onde garçons têm a OPORTUNIDADE de se transformarem em PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS, que eu voto 13."
Foto/Helder Fontenele 
Fonte: Página do Facebook do Helder Fontenele
Edição: Mário Pires Santana 

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