quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Prestígio em queda

A 48 dias de tomar posse no cargo de presidente da República, o deputado Jair Bolsonaro está montando seu ministério através de escolhas pessoais para compor a equipe de primeiro e segundo escalões.
Por Paulo Fontenele
Desprezando a coalizão por partidos. Com isso, deixa de lado a formação de uma base parlamentar e até agora não se sabe quem são e quantos são os seus aliados. O PSL elegeu 52 deputados federais de 513 e apenas 4 senadores num colegiado de 81 precisando construir uma maioria nas duas casas.
No Piauí, pelo que se sabe, apenas o senador Elmano Ferrer (Podemos) foi recebido por Bolsonaro logo após o resultado primeiro turno e a quem o candidato favorito à época anunciou em gravação de vídeo que ele era o único representante do estado em seu governo. Fora Elmano já se insinuaram para o presidente os deputados Júlio César (PSD) e Paes Landim (PTB). Outros políticos com características adesistas
a governos, como é o caso de Ciro Nogueira (PP) e Átila Lira (PSB), se desconhece aproximação. Júlio César aproveitou um encontro de ruralistas que foram cumprimentar a nova ministra da Agricultura Teresa Cristina, musa dos agrotóxicos, para se aproximar do governo mas seu partido, o PSD, ainda não foi procurado pelo presidente eleito para tratarem de participação no governo. Landim, que não foi eleito mas deve ser chamado a assumir, não terá problema em se infiltrar, e Átila Lira (PSB) deve deixar o PSB para tentar beliscar alguma coisa quando Jair Bolsonaro assumir a presidência.
O caso mais duvidoso de parlamentares da bancada do Piauí de aproximação com o governo eleito é o do senador Ciro Nogueira. O primeiro convite que Jair Bolsonaro fez a um político para assumir o ministério foi o do deputado gaúcho Onyx Lorenzzoni, do PP, mesmo partido de Nogueira. Cabe entender que essa escolha se deu levando em conta o lado pessoal e dentro de uma perspectiva em que Lorenzzoni será o interlocutor do PP no governo e não seu presidente que é o senador piauiense.
Ciro Nogueira não é um amador em se tratando de trânsito entre parlamento e governo e governo e partidos para se medir prestígio nos bastidores dos poderes. Por essa razão é que só há uma saída que o senador vê para convencer Jair Bolsonaro a olhar para ele com outros olhos; é disputar e vencer as eleições para a presidência do senado. Não será uma tarefa fácil porque com certeza o Palácio do Planalto não vai deixar que a presidência das duas casas seja exercida para pressionar o governo.
Bolsonaro deixou o PP para disputar o cargo de presidente por outra sigla por saber que o PP jamais lhe daria a legenda. Não pertencendo mais ao PP, o presidente eleito julgou atrair ao governo apenas integrantes do PP com quem tem estreitas ligações e entre eles não está Ciro Nogueira. O certo é que neste momento, são poucos os parlamentares da bancada piauiense que compartilham prestígio ou perspectiva de prestígio com o futuro presidente e a distribuição dos cargos federais se dará por critérios e escolhas pessoais de Bolsonaro.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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